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29 de janeiro: a Igreja reza pelos protegidos de São Damião de Molokai

São Damião de Molokai

Apóstolo dos Leprosos

Padroeiro dos que sofrem lepra, AIDS e dos excluídos

25 de maio

Nasceu numa família de numerosos irmãos, na pequena cidade de Tremeloo, na Bélgica de língua flamenga em 31 de janeiro de 1840. Seguiu os passos de seu irmão mais velho, Augusto, e ingressou na Congregação dos Sagrados Corações. Augusto, já Padre, ia ser enviado como missionário ao Havaí, o grande arquipélago do Pacífico, então ainda um reino independente. Mas adoeceu. José, o irmão mais novo, que recebera o nome de “Damião” ao ingressar na vida religiosa, pediu para partir em seu lugar, embora ainda não tivesse sido ordenado. Foi aceito. Depois que o navio veleiro cruzou o Atlântico e o Pacífico, ele chegou em 19 de março de 1864 no porto de Honolulu, capital do Hawai. Logo foi ordenado, no dia 24, na Catedral de Nossa Senhora da Paz. Trabalhou uns anos, amando muito seus paroquianos.

A lepra e outras doenças tinham chegado às ilhas com os estrangeiros. O rei da época, aterrorizado, mandava prender os leprosos ou suspeitos de terem sido contagiados, para serem examinados por um médico. Se a doença fosse comprovada, a pessoa, homem ou mulher, jovem ou velho, mesmo criança, era, sumariamente, enviada para a ilha de Molokai, onde sequer havia um hospital ou um médico. Entre os exilados para lá viverem e morrerem abandonados, havia católicos. O Bispo, Dom Luís Maigret, reunindo seus Padres pediu voluntários para irem servir aos pobrezinhos. Quatro se apresentaram. Deviam ficar por turnos. De fato, quem baixava na “ilha maldita” não ia poder retornar, tal o pavor do contágio. Damião foi o primeiro.

Apresentando-o aos moradores do povoado e Kalauara, a aldeia dos leprosos de Molokai, o Bispo, sem ter a intenção, foi profético: “Este homem será pai para vocês. Ele vos ama tanto que viverá e morrerá com vocês”.

Uma católica, com os lábios já comidos pela doença, com sua criança no colo, deu boas vindas ao Padre Damião e perguntou quanto tempo ele iria ficar. O Padre respondeu: “Toda a vida”. Nos primeiros meses se abrigou debaixo de uma árvore. Benfeitores de Honolulu lhe enviaram madeira, com que levantou uma casinha. Naqueles primeiros tempos, chegou a fazer cerca de 1600 caixões para enterrar os corpos dos falecidos com dignidade.

Apesar da oposição de um grupo de revoltados e violentos, ele conquistou os corações, pondo-se a serviço de todos. E, no regime de mutirão, ergueu a igrejinha de Santa Filomena, espaço limpo, sempre com o altar enfeitado de flores frescas. Lá celebrava, cada dia, a Missa. Todos notavam seu amor afetuoso pela Eucaristia.

Um pequeno hospital, decente, limpo, sem médico nem enfermeiro, com poucos remédios, aonde ele ia se fazendo tudo para todos, casas para as famílias, pequenos aquedutos para que todos tivessem água limpa e potável, acolhida aos novos exilados que iam chegando, o Padre se multiplicava, sempre bem humorado, mesmo com seu principal inimigo, o Clayton. Empenhou-se muito para que se aproveitasse a boa terra para cultivo do que comer, ficando o povo menos dependente das remessas do governo.

O que acontecia ia sendo conhecido no resto do Hawai. Mais gente enviava ajudas. A princesa Lydia animou-se a fazer a uma visita. Ficou tão comovida, que não conseguiu ler o discurso por causa do choro. Tornous-e ardorosa benfeitora dos habitantes de Molokai. O Rei Davi Kalakaua concedeu ao missionário uma medalha, que ele nunca usou, pois não combinaria com sua batina surrada e sua luta de cada dia. Mas a história de Molakai começou a mudar. Protestantes americanos multiplicaram ajudas. A Igreja Anglicana apoiou decididamente os esforços do Padre. Ainda não fazia muito tempo seu Provincial não tinha podido abraçá-lo. Só consentiram que lhe deixasse caixas e caixas de donativos, e Padre Damião, ajoelhado na canoa, fez sua confissão em voz alta, embora o colega, lá de cima, a bordo do naviozinho, quisesse lhe dar sem mais a absolvição!

A esta altura, ele recebera um reforço inesperado. Um médico, que contraíra o mal tratando doentes, foi banido para Molokai. Era branco, o primeiro depois de Damião. Sorridente se ofereceu para continuar seu serviço. Damião ganhara um companheiro. Mais tarde vieram dois padres e algumas irmãs, estas, sobretudo, para cuidar das crianças.

Padre Damião sabia, desde dezembro de 1884, que tinha sido contaminado. Já não tinha mais sensibilidade no pé esquerdo. Manchas, os temidos “estigmas”, tinham aparecido nos ombros e em outras partes do corpo. No dia seguinte da constatação, começou sua homilia dizendo: “Nós, os leprosos”. E dava graças porque suas mãos continuaram intatas e ele podia celebrar a divina Eucaristia. E insistia com as palavras com que inaugurara a igrejinha de Santa Filomena: “Agora cada qual faça do próprio coração uma capela, onde o Senhor possa morar”.

Já ia chegando ao final da sua vida, mas muito satisfeito, pois recebera dois Padres e quatro Irmãs para o ajudar e, a seu tempo, dar continuidade ao serviço dos pobres. De fato ele viria a morrer no dia 15 de abril de 1889. Meses antes, com data de fevereiro, ele escrevera a que seria sua última carta para o irmão Augusto, Padre Pânfilo: “Serei sempre feliz e contente e, mesmo enfermo, só desejo cumprir a santa vontade de Deus”.

José de Veuster (“Voister”) foi beatificado por outro santo, São João Paulo II, no ano de 1995. Em 11 de outubro de 2009, Bento XVI o declarou Santo (“canonizou”). Sua festa é celebrada no dia 10 de maio.

O último domingo de janeiro é dedicado aos que sofrem do mal de Hansen, isto é, os leprosos. Neste ano de 1917 ele cai em 29 de janeiro. Por isso publicamos este pequeno texto em memória e homenagem a tão extraordinário amigo de Deus, porque amigo dos sofredores e abandonados.