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31 DIAS NO AMOR DE DEUS – 20o DIA – O abraço apertado

20º DIA

O abraço apertado

 

Deus, nosso Pai, ama as crianças, acolhe com ternura seu louvor: “Na boca das criancinhas, contra os ateus, Tu afirmas o Teu Nome” (Sl 8,2). Cada Natal, a imagem do Menino Deus nos nossos presépios vence a arrogância dos negadores do Altíssimo! “Que é um mortal, para que dele Te lembres, um filho de Adão para que o visites? Fizeste-o pouco menor que um ser divino, e de glória e esplendor o coroaste” (Sl 8,5-6). Enquanto no nosso mundo crianças são escravizadas até mesmo nas esquinas de nossas grandes cidades, envolvidas como agentes do narcotráfico, exploradas sexualmente, acumuladas em escolas deficientes, sobretudo de atenção e carinho, o Senhor declara seu amor pelos filhos de Adão e valoriza suas pequenas vidas, seus balbucios e choros como puro louvor a Seu Coração!

No livro do profeta Isaías, lemos como nosso Deus se compara à Mãezinha que amamenta seu bebê: “Dizia Sião: ‘Deus me abandonou! O Senhor se esqueceu de mim!’ Pode uma mulher esquecer a criança de peito? Não amará o fruto de suas entranhas? Embora alguma se esquecesse, eu nunca me esquecerei! Eu te gravei nas palmas de minhas mãos!” (ver Is 49,14-17).

Em Sião, Jerusalém, dois vales limitavam o monte sobre o qual se protegia a cidade: de um lado o vale do Cedron – que Jesus cruzou muitas vezes, indo e vindo do Horto das Oliveiras para a cidade – do outro o vale de Enon (talvez o nome do antigo proprietário, um jebuseu). Os dois vales, por onde corriam enxurradas em tempos de chuvas, se encontram na ponta sul do Monte Sião. No Vale do Enon (gehinnan ou Geena), quando o povo e os reis se entregaram à idolatria, ergueu-se Tofet, onde se ofereciam sacrifícios humanos (ver 2 Rs 23,10; 2 Cr 28,3; 33,6; Jr 7,31; 19,1-14; 32,35). Este tipo de culto vinha dos tempos cananeus, e foi mantido pelos seus descendentes da grande cidade de Cartago. No tempo em que Cartago guerreou Roma, numa situação de perigo, o general cartaginês Almicar Barca, escondeu seu filho, Aníbal, o futuro chefe militar que quase derrotou os romanos, para que o menino não fosse atirado, com outros filhos da aristocracia cartaginesa, na fornalha em honra de Melkart, o ídolo. Não era um ritual de bárbaros ignorantes, mas do povo que inventou a escrita alfabética, o vidro, e levou seus navios até às ilhas britânicas e mesmo às costas da África!

A voz do Altíssimo se fez ouvir contra o assassinato das crianças em honra das divindades dos gentios. Narra o Cronista, por exemplo, recordando os tempos do rei Aças, descendente de Davi: “Acás tinha vinte anos quando começou a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Não procedeu bem aos olhos do Senhor, como fizera Davi, seu pai (ancestral). Andou nos caminhos dos reis de Israel e ele próprio fez imagens fundidas em honra dos Baals (“os senhores”, “os deuses”, ídolos cananeus e fenícios). Foi ele quem queimou perfumes no vale de Ben-Hinnon (Geena) e fez jogar seus filhos na fornalha, conforme as abominações das nações que o Senhor tinha deserdado (os cananeus) em favor dos filhos de Israel (vindos do Egito). Ele oferecia sacrifícios e perfumes nos terreiros de culto nas colinas e sob toda árvore verdejante” (ver 2Cr 28,14).

No capítulo 19 de Jeremias, nosso Deus se insurge contra estas práticas! Nem toda religião é boa e agradável a Ele! Jeremias recebeu ordem do Senhor para dizer ao povo, entre outras coisas, o seguinte: “Eles me abandonaram e alienaram este lugar (a Geena), onde sacrificaram aos deuses estranhos, que eles não conheciam, nem eles, nem seus pais, nem os reis de Judá! Encheram este lugar de sangue inocente! Construíram terreiros de culto a Baal, para queimar seus próprios filhos, o que nem mandei, nem me passou pela mente!” (ver Jr 19,4-5, ver tb. Jr 7,31).

O episódio da matança dos inocentes até hoje é lembrada como uma das piores maldades de Herodes, que não recuou diante de nada para atingir o Messias.

Jesus foi enérgico em defesa dos inocentes. Numa delas, narrada por São Marcos, Ele condena severamente os que fazem o mal às crianças, aos pequenos: “E aquele que levar ao pecado (escandalizar) um destes pequeninos que crêem, teria melhor sorte se lhe amarrassem uma grande pedra no pescoço e o jogassem no mar” (ver Mc 9,42).

Antes desta passagem, o Evangelista nos mostra Jesus numa das cenas em que fica mais claro o amor do Seu Coração divino pelas crianças. Os discípulos debatiam um dos seus assuntos prediletos: quem era o mais importante (ver Mc 9,33-37; Mt 18,2-6). Para ensiná-los, “Jesus chamou uma criança para o meio deles e lhes disse: ‘Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servidor de todos’. Ele abraçou (o menino) e lhes disse: ‘Quem acolhe uma destas crianças em Meu Nome, a Mim acolhe. E quem Me acolhe, não é só a Mim que acolhe, mas também Àquele que Me enviou’ ”.

As traduções parecem que maltratam um pouco o testemunho afetuoso de Jesus. Dizem os peritos que o verbo usado no Evangelho de Marcos não significa simplesmente “abraçar” ou “tomar nos seus braços”, mas “abraçar fortemente”, isto é, com carinho e muito afeto! A criança é, para os olhos bons de Deus, alguém muito importante: se alguém quer ser admitido no Reino, precisa ter um belo coração de criança! Assim é como Deus nos ama e a nossos filhos e filhas!

Nos Evangelhos (MT 19,13-15; Mc 10,13-16; Lc 15,18-17) nos apresentam outra “declaração de amor” de nosso grande Deus e Salvador, Jesus (ver ), pelas crianças. Os discípulos por preconceito e costume, não davam muita importância às crianças. Mas ou menos como nós quando dizemos: “Ah! Isto é coisa de crianças! Ideia de crianças!”. No seu imenso amor, Jesus, por sua vez, dá muita importância às crianças. As pessoas levavam seus pequenos para Jesus abençoar, e os discípulos as repreendiam! O Mestre tinha coisas mais importantes a tratar! Religião é coisa de adultos! “Mas Jesus disse: ‘Deixem as crianças em paz e não as impeçais de virem a mim, pois o Reino dos Céus é daqueles que lhes são semelhantes!’ Então, impôs as mãos sobre elas e partiu dali”.

Os bons Pais e Mães ficam de corações alegres e contentes, quando as pessoas tratam bem os seus filhos e filhas. Deus Pai, de entranhas de Mãe, e o Filho, Jesus, na beleza eterna do Amor, o Espírito Santo, fica alegre e contente, quando as crianças são cuidadas e respeitadas! Assim é Deus Amor para valer!

 

Ah! Pe. Zezinho sabe das coisas! Sabe do amor de Deus por nós e por nossos filhos e filhas! Por isso ele canta conosco na sua bela “Oração pela família” *:

“Que marido e mulher tenham força de amar sem medida! / Que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão! / Que as crianças aprendam no colo o sentido da vida! / Que a família celebre a partilha do abraço e do pão! / Que marido e mulher não se traiam nem traiam seus filhos! / Que o ciúme não mate a certeza do amor entre os dois! / Que no seu firmamento a estrela que tem maior brilho! / Seja firme esperança de um céu aqui mesmo e depois!
Abençoa, Senhor, as famílias, Amém!/ Abençoa, Senhor, a minha também!

Que a família comece e termine sabendo aonde vai! / E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai! / Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor! / E que os filhos conheçam a força que brota do amor!
Abençoa, Senhor, as famílias, Amém!/ Abençoa, Senhor, a minha também!

 

* * Pe. R. Paiva, SJ & Teresa Cristina Potrick (Orgs.), Cantar e Celebrar, Loyola / SP 2007, p. 123.