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O Amor de Deus se mostra em gestos

19º DIA

Amor em gestos *

R. Paiva, SJ, “31 Dias no Amor de Deus

 

O amor se mostra – como gostava de insistir Santo Inácio de Loyola – mas em atos do que em palavras. A experiência prova que belas declarações de amor, palavras sedutoras, elogios podem ser enganadores. Os gestos de Jesus, muitas vezes acompanhados de palavras, outras, de silêncio, são provas de amor, consideração, compaixão… Aprendemos muito folheando as primeiras páginas do Evangelho segundo São Marcos. A simplicidade dos relatos nos ajuda a fixar os olhos nos gestos. Por exemplo: a breve narrativa do batismo do Senhor por São João: Ele vai até as margens do Jordão, entra na fila dos pecadores arrependidos… Contemplamos seus passos junto aos nossos! Ele “declara” na Sua atitude, todo Seu amor solidário conosco, toda Sua vontade de estar conosco nos momentos delicados de nossas vidas, quando buscamos expressar nossa dor por ter feito o mal.

Outro gesto: Jesus sobe à montanha, não muito distante, entra em jejum e oração, e se deixa tentar! Tão grande amor tem por nós que nos acompanha em nossas tentações e nos mostra como vencê-las. Derrota, em nosso nome e para nossa paz e alegria, o Inimigo de todo o bem, o Sedutor, a Antiga Serpente!

Adiante, quando João é preso por ordem de Herodes, Jesus mostra seu amor valente e cheio de ânimo por nossa Salvação: não se esconde, não foge, mas se expõe. Começa a pregar: “Completou-se o tempo! Chegou o Reino de Deus! Convertei-vos e crede no Evangelho” (ver Mc 1,14-15)! Num momento de tristeza e medo, Ele é Luz, Ele proclama a Boa Nova do Reino! Num mundo que parece dominado por tiranos do tipo dos Césares e dos Herodes, Ele, com calma alegria, sai a nosso encontro com o anúncio do novo tempo!

Segue-se outro encontro: “Passando à beira do mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André…” Ele não passa por nós sem nos ver! E não nos vê sem nos chamar! Os pescadores serão feitos pescadores de homens! Sua atitude é de quem valoriza, quem quer bem, quem chama para missões mais altas, sem preconceitos: “Ah! São gente rude! Trabalhadores braçais!”.

Porque nos ama, Jesus não tolera que o espírito impuro nos maltrate. Ele mostra reverência e carinho ao Pai e à Sua Lei, indo ao culto da sinagoga no sábado. O demônio se manifesta escandalosamente. Domina um pobrezinho! Jesus, sem mais, o expulsa e liberta o possesso. Nós, talvez, teríamos fugido ou amarrado o infeliz, não sei. Mas Jesus ama até os possuídos pelo Maligno (ver Mc 1,21-18)!

Saindo dali, vai à casa de Simão (Pedro) e André. A sogra de Pedro está acamada, com febre. Coisa bonita: Jesus se aproxima, toma a mulher pela mão e levanta gentilmente, curando sua moléstia (ver Mc 1,29-31).

O Evangelista, neste capítulo inicial, simplesmente vai narrando os gestos de Jesus, mostrando, em simples relatos sucessivos, como o Salvador se importa com cada um de nós. Por isso, à cura da sogra de Simão Pedro, continua a nos comunicar o esplendor da Boa Nova, contando como Jesus, já no escuro da noite, brilha de amor curando os enfermos e libertando os possessos. E nada fazia em busca de publicidade, porque “não permitia que os demônios falassem, porque sabiam quem era Ele” (ver Mc 1,32-34).

O gesto de Jesus que encerra este primeiro capítulo do Evangelho segundo São Marcos, talvez seja o mais tocante de todos, o mais revelador da ternura de Seu Coração por nós. Alta madrugada, Jesus foi a um lugar solitário rezar. Assim nos “fala” do amor e da consideração para com o Pai! Mas não fica só nisso: começa uma viagem missionária. Na verdade Ele é a Luz para cada pessoa que vem a esta terra (ver Jo 1,9-10). Uma das realidades mais sombrias que afligem a nossa existência são as doenças incuráveis. Por muito tempo a lepra foi uma das mais tenebrosas doenças, que têm atormentado nossa humanidade. A pessoa afetada pela lepra era afastada do convívio da família, do povoado, de toda a gente. Tremenda solidão, vendo cada dia a própria carne ser afetada e até cair em pedaços. Era proibido qualquer tipo de contato com a pessoa doente (ver Lv 13,45). A Lei queria proteger os sadios, e não era má. Porém Jesus a supera, vai além do amor aos sãos, e, como bom Médico (ver Mc 2,17), não vacila em curar o enfermo com o toque de suas mãos (ver Mc 1,40-41).

Acolhamos os gestos de amor de Jesus, e podemos cantar **:

EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA, / que todos tenham vida plenamente.

1. Reconstrói a tua vida em comunhão com teu Senhor, / reconstrói a tua vida em comunhão com teu irmão. / Onde está o teu irmão, eu estou presente nele.
2. Quem comer o pão da vida viverá eternamente. / Tenho pena deste povo que não tem o que comer. / Onde está um irmão com fome, eu estou com fome nele.
3. Eu passei fazendo o bem, eu curei todos os males. / Hoje és minha presença junto a todo sofredor. / Onde sofre o teu irmão, eu estou sofrendo nele.
4. Entreguei a minha vida pela salvação de todos. / Reconstrói, protege a vida de indefesos e inocentes. / Onde morre o teu irmão, eu estou morrendo nele.

5. Este pão, meu corpo e vida pela salvação do mundo, / é presença e alimento nesta santa comunhão. / Onde está o teu irmão, eu estou presente nele.

 

* Este é o título de um belo livro, já esgotado, sobre os Sete Sacramentos, do falecido Pe. Guy Jorge Ruffier, pelas Edições Loyola.
** “Eu vim para que todos tenham vida”, Pe. José Weber, “Cantar e celebrar” p. 70.