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Santo Frei Galvão (25 de outubro)

Santo  Frei Galvão (10.V.1739-23.XII.1822)

 

25 de outubro

 

Primeiro Santo brasileiro canonizado, e também o primeiro cuja Missa de canonização foi celebrada no Brasil, no Campo de Marte, São Paulo, capital, pelo então Papa Bento XVI, com a presença de quase um milhão de fiéis!

 

Ele teria nascido em 10 de maio de 1739, mas não há documentação, pois foram perdidos os arquivos da Matriz de Santo Antônio de Guaratinguetá / SP daquela época. Faleceu em São Paulo em 23 de dezembro de 1822, no Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, do qual foi fundador, com a Irmã Helena Maria do Espírito Santo (falecida em 23.II.1775),e no qual, com licença dos Superiores, passou seus últimos dias. Ele levou 28 anos para erguer o atual edifício, tido pela UNESCO como parte do patrimônio histórico mundial. Ali está sua sepultura, lugar de contínua peregrinação.

 

Seu pai foi Antônio Galvão França, natural de Faro, sul de Portugal, que chegou a ser o Capitão – mor da vila de Guaratinguetá / SP, no vale do Paraíba. Sua mãe, falecida com 38 anos, tendo dado à luz dez ou onze filhos, era Isabel Leite Barros. Ambos católicos fervorosos, consta que ela, vendo a morte se aproximar, fez questão de deixar suas roupas para os pobres.

 

Eles enviaram o adolescente Antônio para estudar em Cachoeira da Bahia, escola dos jesuítas (Colégio de Belém). Lá permaneceu por 4 anos. Queria ser ele também um jesuíta, mas seu Pai, sabedor, pelo cargo que ocupava, da determinação do Marquês de Pombal de expulsar a Companhia de Jesus nos domínios portugueses, o chamou a Guaratinguetá e o inscreveu no Convento franciscano de Taubaté.

 

Quando Antônio completou 21 anos, entrou como Noviço no Convento franciscano de São Boaventura de Macacu (Itaboraí / RJ). No ano seguinte, fez seus votos religiosos de pobreza, castidade e obediência, mais o de defender a doutrina da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, então objeto de contestações. Em 15 de julho de 1762, ele foi ordenado padre, e enviado ao Convento de São Francisco, na capital paulista. De passagem por Guaratinguetá, na Matriz de Santo Antônio (hoje catedral da Arquidiocese de Aparecida), celebrou sua Primeira Missa.

 

Já em São Paulo, em 1768, querido e respeitado pelos confrades e pela população, foi nomeado confessor, pregador e “porteiro” (cargo então importante) do Convento. Por esta época, a Câmara Municipal o declarou “novo esplendor do Convento”.

 

No ano de 1770, foi eleito membro da Academia Paulista de Letras (“Academia dos Felizes”), tendo recitado 16 poesias em latim, em honra de Santa Ana, mais uma ode, dois hinos e alguns epigramas.

 

Nada disto o afastou do serviço aos pobres, agoniados e doentes terminais. Entre 1769 e 1770, atendeu como confessor as mulheres do Recolhimento de Santa Teresa de Jesus. Naquela época, quando era proibida a vida religiosa feminina no Brasil, os “recolhimentos” eram substitutos dos conventos e mosteiros. Lá conheceu a mística Helena Maria do Espírito Santo, que lhe comunicou visões, onde lhe era pedida a constituição de outro “recolhimento”.

 

Depois de consultar superiores e outras pessoas, Frei Galvão deu início ao que iria ser a obra material de sua vida, hoje conhecida como Convento da Luz (desde 1929). Atualmente, em uma parte dele, habitam religiosas de clausura, da Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriz de Portugal. Em outra parte está o famoso Museu de Arte Sacra, formado por iniciativa do 1º Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte. Depois de 28 anos, tendo Frei Galvão trabalhado até como pedreiro, foi possível inaugurar o conjunto, em particular a Igreja (15.VIII.1802), que hoje abriga sua sepultura e acolhe seus devotos.

 

Em 1811, ele inaugurou o Convento de Santa Clara, em Sorocaba / SP. Mas podemos considerar como de sua influência a igreja e devoção de Nossa Senhora das Brotas, Piraí, no atual Paraná.

 

Contudo, sua fama, já em vida era de miraculoso autor de curas, fama que perdura até nossos dias. Uma vez, apelaram para ele no caso de uma pobrezinha com terríveis cólicas renais. Ele tomou um pedaço de papel, onde escreveu uma frase do Ofício da Imaculada: “Após o parto permaneceste Virgem! Ó Virgem Mãe de Deus, intercedei por nós!”. Fez uma pílula com o papel e a doente a engoliu e se restabeleceu imediatamente. Assim, com simplicidade, começou a história das “pílulas do Frei Galvão”, que têm média de 300 pedidos por dia atualmente. A Igreja recomenda que só sejam usadas por doentes terminais. Mas, talvez o grande milagre de Frei Galvão foi a devoção incansável que o povo de São Paulo manteve a ele e às suas pílulas, apesar do quase nenhum incentivo da hierarquia católica.

 

Por três vezes, a população e o Bispo forçaram autoridades civis e religiosa (superior franciscano) a devolverem Frei Galvão à cidade de São Paulo. Ali ele morreu. Irmã Célia Cadorim, a mesma que trabalhou pela canonização da Santa Madre Paulina, foi encarregada do processo canônico de Frei Galvão. Podemos considerá-la “madrinha” de ambos! Frei Galvão foi beatificado em 15 de outubro de 1998 e, como já foi dito acima, canonizado em 11 de maio de 2007, por Bento XVI.

 

Oração litúrgica

 

Ó Deus, Pai de Misericórdia,

Que fizestes de Santo Antônio de Sant’Ana Galvão,

Um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos,

Concedei-nos, por sua intercessão,

Favorecer sempre a verdadeira concórdia.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

Na Unidade do Espírito Santo.

Amém!