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“O casamento ‘gay’: fruto da ditadura do relativismo”

“O casamento ‘gay’: fruto da ditadura do relativismo”

Massimo-Introvigne

A propósito das manifestações contra a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o jornal italiano La Stampa, entrevistou o sociólogo Massimo Introvigne, militante contra a intolerância e a discriminação contra os cristãos. Já 14 países legalizaram este tipo de união. Há problemas vindos de coagir judicialmente desde servidores públicos até empreendedores particulares a aderir. Por exemplo: houve o caso de um confeiteiro que está sendo processado porque se recusou a preparar um bolo para um destes pares. Um prefeito católico, que se recusa a presidir tais uniões, também está sendo legalmente pressionado. Donde se vê que há lugar para se falar de discriminação contra cristãos. Voltamos ao tempo do Império Romano?

Introvigne sustenta que “a família não pode continuar sendo humilhada e enfraquecida com imitações, que, de maneira sutil, constituem uma ferida sempre maior na sua específica identidade, e que não são necessárias para garantir os direitos individuais, já amplamente considerados no ordenamento jurídico (europeu)”.

O entrevistador lembrou que, há três anos, o então Arcebispo Bergoglio, em Buenos Aires, declarou que a lei argentina sobre o casamento homossexual se atribui à “inveja do demônio, que confunde e engana os filhas de Deus”. O entrevistador perguntou se seria aceitável, por parte dos católicos, a “união civil”, sem uso da palavra “casamento”, ou “matrimônio”.

Introvigne argumentou que o problema não se reduz à incertezas doutrinais, mas também os chamados “católicos conservadores” (pastores e fiéis), que não sentem estas incertezas, “têm cedido intimamente ao mito iluminista do progresso contínuo e do caráter inelutável de certos avanços modernos. Este mito, liga a verdade ao tempo, e é o alicerce da “ditadura do relativismo”, comentada por Bento XVI e também pelo Papa Francisco. Muitas pessoas se deixaram convencer que a história avança em linha reta. Assim não há volta possível a respeito de usos e costumes como as relações sexuais antes e fora do casamento, o aborto (e já se argumenta em favor da legalização do infanticídio, a eliminação legal do recém nascido). Na melhor das hipóteses – acreditam – há possibilidade de atrasar este processo irreversível…

Introvigne disse: “Quem pensa assim é vítima – para falar com o Papa Francisco – daquela ‘mundanidade espiritual’, que perde a confiança em Deus, e segue os caminhos e consensos do mundo. É vítiama daquela desesperança histórica, que – explica o Papa – vem realmente do diabo.”

O entrevistado não aceita o compromisso da “união civil”, como se fosse um “mal menor”. Ela apenas abre caminho para a legalização do casamento e da adoção homossexual

Introvigne reconhece que católicos, evangélicos, islâmicos e também judeus se tem unido na Europa conta esta onda de legalizações da união “gay”. Na verdade tal movimento vem do pensamento secularista que acredita que o ser humano se faz a si mesmo, que não existe uma natureza humna, uma criação a ser cuidada e respeitada. Os adeptos do pensamento “laicista” propõem que podemos inventar nossa identidade e outros modelos de família. Negam a natureza, a criação, o Deus Criador. Tudo isto é um desafio mortal para as religiões. O Cardeal Bergoglio, agora, Papa Francisco, em diálogo         
com o Rabino argentino Abraham Skorka falou – disse Introvigne – “em um ‘regresso antropológico’, determinado pela ideologia do gênero e das tentativas de assimilar as uniões homossexuais ao casamento”.

Traduzido e adaptado da entrevista concedida a La Stampa, 14 de junho de 2013.