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Os estudantes sírios na guerra

Os estudantes sírios na guerra

Quase 5 milhões de pessoas deslocadas de suas casas e cidades ou aldeias: bastariam estes números para recordar que a duradoura guerra na Síria abalou o país de 20 milhões de habitantes. Não há país no mundo (exceto a Colômbia) que tenha um número tão grande de pessoas, que, por razões de segurança, tenham tido de abandonar suas casas e procurar outras áreas no próprio país. Não são oficialmente refugiados, como os que fogem para o estrangeiro, mas vivem o mesmo drama.

Anne Ziegler, agente francesa do Serviço Jesuíta para os Refugiados (JRS), teve de deixar Damasco por questão de segurança, e passou a Beirute. Até então permanecera na capital síria, onde se ocupava com a ajuda aos deslocados internamente. Disse: “Os bombardeios sobre Damasco caem aqui e ali o dia inteiro, ataques dos rebeldes que procuram abalar os pilares do regime. Em particular, foram atingidos alguns locais onde o JRS mantém algumas de suas iniciativas, como os subúrbios de Dwelaa e Jaramana. Nestas áreas, o JRS procura assistir mais de quinhentas famílias, sobretudo com atividades escolares, e transportando crianças e jovens que ainda vão à escola ou também os que já não se arriscam a frequentar as aulas”.

Anne Ziegler explicou: “O grande problema, hoje, é como manter o ritmo da vida diária. Isto é, onde encontrar o que comer, obter assistência médica, ou, pelo menos, dormir num lugar seguro. Sem falar do medo de um ataque americano. Todos conhecem os ‘danos colaterais’ desses ataques. A guerra fez entrar em colapso o sistema da instrução. Os prédios escolares, que não foram danificados, forma transformados em abrigos para as famílias desalojadas. Muitos não se atrevem a deixar seus filhos irem à escola com transporte público. Também o sistema médico está desarticulado. Os serviços básicos estão cada vez mais deficientes, as farmácias têm cada vez menos medicamentos para os enfermos crônicos”.

“De modo geral, na Síria, o JRS oferece assistência, serviços educacionais e apoio psicossocial a quase 9.300 famílias. Não são muitas as agências humanitárias atuando no país. Mas a seção do JRS aqui presente para responder, desde 2008, à chegada de milhares de refugiados do Iraque, se organizou para acudir ás necessidades provocadas pela crise interna, graças a alguns jesuítas e a uma rede de voluntários de diversa pertença religiosa”.

“Em Alepo, uma cozinha de campo consegue fornecer alimento a cerca de 17 mil pessoas. São distribuídos materiais para higiene pessoal. No inverno, a prioridade será a distribuição de cobertores, agasalhos e roupas pesadas. No verão a prioridade tem sido fornecer água potável e dar destino ao lixo”.

Continua Anne Ziegler: “Nossas atividades prosseguem adaptando-se, cada dia, às situações que aparecem, condicionadas aos problemas de segurança e da disponibilidade de produtos. Alepo permaneceu completamente isolada por toda uma semana. Depois, uma estrada foi aberta e comboios com alimentos conseguiram chegar. Mas, naquela semana, não se encontrava nem um pedaço de pão”.

Perguntamos o que significa viver uma guerra enquanto estudante. Ela respondeu: “Significa perder aulas, pular os exames, perder o espaço para interagir e para desenvolver atividades da vida normal, como arte, teatro. A guerra não é só a destruição física, mas o perturbação total do percurso do crescimento. Toda criança que participa das atividades do JRS teve uma experiência de traumas ou lutos na família”.

Ele prosseguiu: “Há também um milhão e meio de refugiados nos países vizinhos, sendo, cerca da metade, menores. A assistência aos que estão no vale de Bekaa, no Líbano, zona mais próxima da fronteira síria, é ajuda de emergência, apoio psicossocial para as crianças e assistência médica. Do ponto de vista de uma criança síria, a fuga pode significar ter de frequentar uma escola onde não se fala árabe, mas francês ou inglês, o que não é raro na Síria. Mas a assistência a alguns milhares de famílias e crianças cobre uma parte mínima das necessidades”.

Há também fuga de sírios pelo mar Mediterrâneo. Que itinerário seguem? Anne explicou: “Não estou bem informada sobre este assunto. Sei que escapam partindo do Líbano, e alguns pelo litoral sírio”.

Francesco Pistocchini, POPOLI 06.09.13