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A mentira: Para uma revisão de vida – uma ajuda de Dom Orlando Brandes

Um texto, que pode ajudar a uma revisão de vida…

A MENTIRA

Todo ser humano, por ser inteligente tende para a verdade. A mentira é uma contradição e uma frustração para a mente e para a existência pessoal e social. Nós humanos somos seres sociais e relacionais, para isso precisamos da confiança nos outros. A mentira é uma traição e um bloqueio para a convivência, a comunicação, impede a confiança no relacionamento humano. Uma vida pautada na desconfiança é desgastante e prejudicial. A mentira envenena tudo.
O ser humano tem necessidade de coerência, inocência, da transparência, da ética. A mentira corrompe estes valores e nos faz reféns e prisioneiros da corrupção, da falsidade, dos golpes e bloqueios, boicotes e manipulação. Necessitamos também da verbalização dos sentimentos, comunicação interior, partilha do que vai no coração e na consciência. A mentira fecha as portas do coleguismo e da intimidade, obriga-nos a viver de aparências e inverdades. Projetamos uma imagem falsa de nós mesmos. Nosso eu real é outro. Esta mentira existencial gera as outras. Estamos confinados a uma prisão interior doentia e insuportável. Tudo por conta da mentira. Precisamos gastar grandes energias para manter a mentira.
Ninguém gosta de ser enganado e Deus não engana nem se engana. Deus é veraz. A veracidade é uma exigência do oitavo mandamento. O evangelista João afirma que o diabo é o pai da mentira. Portanto, a mentira é diabólica, é uma recusa à retidão moral. Mentir é uma agressão à dignidade humana porque é promoção da duplicidade, da simulação e da hipocrisia. Mentir redunda numa grave injustiça e prejuízos pessoais, familiares e mundiais.
Mentir em público ou diante de um tribunal é falso testemunho, mentir sob juramento é perjúrio. A mentira condena o inocente e inocenta o culpado. As pessoas têm direito à boa fama ao respeito, à reputação. Daí a gravidade da mentira que consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar. É falar contra a verdade para induzir em erro.
Em síntese, a mentira é uma profanação da palavra, uma incoerência, uma violência. Por isso, há o dever de reparação. A mentira tornou-se onipresente e onipotente. Há um “reino da mentira” que está nas balanças falsas, no comércio, na imprensa nos remédios, na política, nas religiões, nas instituições. É a mentira que dá sustento a todos os pecados que cometemos. Ser sincero hoje é ser perdedor, ingênuo, bobo, imprudente. Mentir passou a ser verdade, obrigação, jeito e “jeitinho”. Todavia isso tudo é antiético.
Maledicência e calúnia são expressões típicas da pessoa mentirosa. A mentira é por natureza contraditória. Há circunstâncias que atenuam a gravidade da mentira, principalmente quando estamos obrigados a guardar sigilo, para manter o direito à privacidade e á honra, ou quando, alguém inocente é gravemente prejudicado. Isso significa que há diferentes modos de se dizer a verdade. Infelizmente a mentira foi incorporada na sociedade como um jeito normal de lucrar, de defender interesses e egoísmos, de manipular a opinião pública. É a verdade que nos libertará. A mentira está globalizada em tantas formas de corrupção e de manipulação a ponto de se falar na “cultura da corrupção”. A educação para a ética e a verdade começa vinte anos antes de uma criança nascer. Portanto, já no namoro de seus futuros pais. Quem é veraz diz a verdade e respeita a veracidade.

Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Londrina / PR