Novidade Loyola: “Deus, não sem nós”
outubro 7, 2013
CRISTO – 1 “Mais conhecer, para mais amar e servir” Introdução – 4
outubro 9, 2013

A Nova Evangelização: o que é, como se faz; por Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina / PR

Nova Evangelização e a Coragem da Fé

A Igreja para evangelizar hoje deve ter em conta a evangelização dos apóstolos. A dificuldade que Paulo enfrentou em Atenas, Corinto, verifica-se hoje também. Para evangelizar precisamos ser mais ágeis: como Davi não pôde enfrentar Golias com as armas pesadas de Saul, assim a Igreja deve abandonar costumes ultrapassados, estruturas materiais e espirituais caducas, modos de falar, hábitos de outrora e como Corpo Místico ressuscitado, anunciar o evangelho mantendo inalterada são doutrina e verdadeira Tradição. A Igreja não deve agir como uma potência mundial, de forma que sem equívocos pregue a todos Cristo morto e ressuscitado como fizeram os apóstolos e os missionários, por exemplo São Francisco Xavier.

Encontramos quatro dimensões constitutivas da Nova Evangelização nos Atos dos Apóstolos, que revelam a coragem da fé dos discípulos de Jesus.

1. Perseverança na oração e Eucaristia.

2. Perseverança no ensino dos Apóstolos: transmissão da fé, missão. Educar para o “pensamento de Cristo” (I Cor. 2,16).

3. Perseverança na comunhão: unidade partilha de bens, e, da própria existência. 4. Perseverança na missão: deixar transparecer a alegria do encontro com Cristo. Esta experiência cria o desejo para que todos sejam salvos. Portanto o que precisamos é de uma experiência profunda com Cristo, vida de comunidade e não só planos e métodos pastorais.

Nova Evangelização não é multiplicação do que já faz, mas, uma conversão pastoral que ilumina a mente, orienta a liberdade, comove os sentimentos, compromete a vida. A evangelização é complexa diante do mundo, mas simples em confronto com a graça.

Um padre sinoal apontou três experiências necessárias para uma Nova Evangelização:
a) Experiência da paternidade de Deus: a vida filial, a proximidade do Pai, deixar-se amar, crer no amor de Deus.

b) Experiência na comunidade Cristã: espírito de família, pequenas comunidades. Comunidade como espaço de vida, centro de espiritualidade e inspiração pastoral.

c) Experiência de dar Deus aos outros: transmissão da fé. A missão não seja vista como um peso, mas, um lucro, uma vantagem, um serviço à humanidade.

A Nova Evangelização é muito antiga. Deriva de Jesus. Ele nos manda “ir”. É preciso “ir”. Também os Bispos devem visitar suas ovelhas nas casas, nas praças, nos campos desportivos, nos lugares de festa, nas prisões, nos hospitais, nas escolas.

Visitar é a atitude da mãe, a qual com criatividade da de comer aos filhos, mesmo quando não querem. O amor é agente eficaz de evangelização, edifica comunidades que se distinguem pelo amor. O Bispo é o protagonista da evangelização. A Igreja não seja sufocada pelo imobilismo, pela burocracia e pelo clericalismo.

A Nova Evangelização deve responder à pergunta de Jesus: “O que procurais”? E dar a resposta em quatro dimensões:

1º O discernimento sobre o tempo que vivemos. São tempos difíceis e confusos por causa da secularização. Mas não faltam expectativas espirituais e esperança nos corações.

2º O compromisso de progredir no conhecimento do Deus vivo, purificando nossa fé de tudo o que a torna pesada e ousando falar a Deus a repeito das pessoas e realidades que encontramos antes de falar de Deus para elas.

3º A compreensão que o fim da Igreja não é ela mesma, mas, o encontro dos homens com o Deus vivo. Não se trata tanto de estar presente no mundo, mas de ser Cristo para o mundo.

4º O desejo de não querer ser mais numerosos que os outros, nem reunir mais fiéis para a Eucaristia, ou manifestar mais vigor nas sociedades secularizadas. Somos chamados primeiro a um trabalho interior de renovação da vida cristã, à luz da fé. nova Evangelização supõe evangelizadores com novo coração, nova fé, novos sentidos.

 Dom Orlando Brandes