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novembro 25, 2016

A prece da mãe Ana

Prece de Ana

A infância de Samuel (1Sm 1-2)

Samuel teve um nascimento prodigioso, daqueles nascimentos bíblicos, como o de João Batista, que atestam a preferência de Deus pelos pobres, necessitados e, particularmente as estéreis. Assim Sua escolha por Israel, povo pequenino até hoje, mas que continua vivo e presente na história, enquanto grandes nações se erguem e desaparecem, se revela nos relatos do quotidiano dos ignorados pela grande história dos reis e chefes de guerra.

Seu pai se chamava Elcana, e tinha duas esposas. Uma delas, Ana, sofria a esterilidade, objeto de desprezo da outra e da sociedade por muitos séculos para trás e para frente em quase toda a humanidade. Elcana costumava peregrinar cada ano até Silo, onde se encontravam a Tenda e a Arca da Aliança, sob a guarda do sacerdote Eli, cujos dois filhos de nomes egípcios, Hofni e Finéias participavam, a seu modo e mau modo, do serviço religioso do pai.

O que mais impressiona neste capítulo é a visão de Deus que transparece na prece de Ana (1Sm 1,11-12). Em lágrimas, ela recorreu a Ele, que podia sanar sua infecundidade (coisa que os humanos não podiam) mas tão compassivo, que podia se interessar pelos problemas de uma humilde camponesa.

Atendida, Ana vai apresentar Samuel a Ele, para o serviço da tenda, e se conserva outra oração sua de tal beleza e devoção (1Sm 2,1-10), que anuncia o “Minha alma engrandece o Senhor” da Virgem Maria (Lc 1,46-55). Leiamos um pequeno trecho: “Os arcos dos valentes se rompem, mas os covardes se cingem de coragem; os fartos são contratados por pão, mas os famintos engordam; a mulher estéril dá a luz sete filhos, mas a mãe de muitos fica estéril”.

O canto de Ana se apresenta, na versão que nos é dada na Bíblia como o canto de um povo pequeno, ameaçado por forças maiores e que aposta tudo na proteção do seu Deus, Deus de Abraão, Isaac e Jacó, Deus dos humildes, que rejeita os orgulhosos (ver Lc 1,51-55).