Uma demissão em protesto, a solidão do Papa, parcerias homossexuais, populismos – fala o Cardeal Parolin
Março 6, 2017
Abramos a porta do nosso coração para Jesus!
Março 9, 2017

A vida eterna, espaços de liberdade, dons eternos empolgantes

Continuação de “Credo – Meditações sobre o Símbolo dos Apóstolos” por Hans Urs Von Balthazar

Quem merece entrar…

…vindo de sua própria vida, estreita e amortecida, nesta vida de Deus (a Vida Eterna), tudo se passa como se lhe abrissem espaços empolgantes, a perder de vista. Espaços nos quais nos podemos lançar em plena liberdade. Estes espaços são eles próprios liberdades que atraem, acolhem e respondem ao nosso amor. Quem pode já, aqui em baixo, penetrar no fundo de outra liberdade? Impossível! Aqui as aventuras do amor criador e inventivo crescem até ao infinito, na comunhão dos santos em Deus, para além de tudo o que possa ser dito. A vida em Deus torna-se milagre absoluto.

Nada é dado com um termo, o ato do dom se desenvolve sem limites. Por isso, os que estão no céu estão constantemente prontos a ajudar a terrestre indigência, de certo com os dons eternos, talvez também com os temporais, a fim de nos dar coragem, para, apesar de tudo, tendermos à vida eterna, a fim de nos dar um antegosto do que nos espera. E, quando temos de sofrer, abrem-se em nós funduras mais profundas do que nós pensávamos possuir, profundezas que, depois, na vida eterna, se tornam recipientes de uma maior felicidade, de fontes mais abundantes. Fontes que jorram sozinhas, que correm gratuitamente, pois, na vida eterna, tudo é gratuito.

A palavra “gratuito”, “sem pagar”, quando se trata dos dons de Deus, atravessa toda Bíblia (ver Is 55,1; Sir 51,24; MT 10,8; AP 21,6; 22,17). Este “gratuito” é a natureza mais íntima do amor de Deus, que não tem outra razão além dele próprio, e é partir daí que é definido tudo o que, na vida eterna, está junto de Deus. E, precisamente, porque o amor é sem fundo, ele é insondável. Nunca se chega a seu fundo, ele é insondável. Nunca se chega ao seu fundo. Ele permanece sempre mais profundo que o que pode ser fundado, que o que pode ser “traduzido no conceito”.

Por isso Paulo diz, com muita exatidão: “Conhecer o seu amor, que excede toda ciência”, para ficarmos repletos “de toda a plenitude em Deus” (Ef 3,19).