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A Virgem de Guadalupe, segundo Padre Haroldo, SJ

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira das Américas (12 de dezembro)

Para avaliar o profundo significado de Guadalupe, é importante conhecermos o contexto histórico da época da aparição. Em 1325 os astecas fundaram a capital Tenochtitlán em uma ilha do lago Texcoco. A lenda conta que haviam visto uma águia devorar uma serpente, ainda hoje emblema nacional.

A moralidade dos índios era defendida com rigor. Os ladrões eram punidos com a escravidão, os adúlteros, com o apedrejamento, os assassinos e aos jovens embriagados, com a morte.

Um cacto, o “maguey”, fornecia o “pulque”, sagrado néctar, bebida ainda hoje popular no México. Com suas fibras podem ser tecidos ponchos, as “tilmas”. Foi numa tilma que a Santíssima Virgem deixou a sua imagem, numa de suas aparições a São Juan Diego.

Primeira aparição: Era a manhã do sábado 9/12/1531, João Diego (1474-1548) indígena de Cuautitlán, há pouco convertido e batizado, se dirigia para a igreja de Santa Cruz de Tlatelolco para assistir às aulas de catecismo. Ao passar perto da colina de Tepeyac ouviu um suave gorgeio, um chilrear melodioso de passarinhos belíssimos e coloridos, cujo eco repercutia como música celestial.

Juan Diego viu a bela Virgem e ela lhe falou: “Fique bem entendido por ti, que és o menor dos meus filhos, que eu sou a sempre Virgem, Santa Maria, Mãe do verdadeiro Deus, fonte da vida, do Criador que tudo abrange, o Senhor do céu e da terra. Desejo ardentemente que aqui seja construído para mim um templo, onde eu possa mostrar e oferecer todo o meu amor, a minha compaixão, o meu auxílio e a minha proteção – porque eu sou a vossa mãe misericordiosa – a ti, a todos os habitantes desta terra e aos outros devotos que me invoquem com confiança. E para realizar o que minha clemência quer, irás ao palácio do Bispo, Frei João de Zomararraga, do México, para dizer-lhe que fui eu que te mandei.”

O Bispo não acreditou nele. João Diego voltou, desanimado e triste porque a sua missão não havia obtido êxito. Deu contas à Virgem, com os diminutivos próprios da cortesia asteca: “Te peço veementemente, minha Senhora e minha menina, que confies a tarefa a uma pessoa importante, eu sou um homem simples e um índio pobre”. A Virgem, contudo, mandou que ele insistisse com o Bispo. Este, com o objetivo de verificar o que se passava, fez muitas perguntas, a que João Diego respondeu com grande exatidão. Então, pediu-lhe um sinal.

Terceira aparição: Juan Diego explicou à bela Virgem o que acontecera. A Senhora lhe disse: “Tudo isso está muito bem, meu filhinho, voltarás aqui amanhã para receber o sinal que ele pediu. Então ele acreditará em mim. Agora vai embora, porque amanhã estou aqui esperando por ti”.

No dia seguinte, uma segunda-feira, João Diego não se apresentou ao encontro marcado, porque na noite anterior, ao chegar em casa, havia encontrado o tio, João Bernardino, muito doente. O próprio tio pediu um sacerdote que fosse depressa confessá-lo e prepará-lo para uma boa morte.

Quarta e quinta aparições: na terça-feira, 12 de dezembro, antes do amanhecer, Juan Diego já estava a caminho do Tlatelolco, à procura de um sacerdote… Seguiu outro percurso, em torno da colina, na direção do oriente, para assim poder chegar ao México mais depressa, sem se entreter com a Senhora do céu. Apesar disso, ele a viu descer da colina: “Que houve, meu pequeno? Para onde estás indo?” “Minha menina, minha filha pequeníssima, Senhora, espero que estejas contente. Sei que vou entristecer-te, mas quero que saibas que um tio meu está gravemente doente, contagiado pela peste. Estou indo buscar um sacerdote. Amanhã virei aqui sem falta”. Maria lhe disse: “Não estou aqui, eu que sou a sua mãe? Fica certo que neste momento o seu tio está curado. Sobe a árida colina para colher as rosas magníficas e frescas, rosas de Castela, desabrochadas fora da estação, muito perfumadas e cheias de orvalho. Leva-as na tua tilma”.

Juan Diego fez como lhe tinha sido indicado e seguiu para a cidade do México. Chegando ao palácio, ajoelhou-se diante do bispo e, depois de haver repetido a mensagem, abriu a tilma, que até então mantivera apertada contra o peito. Assim que as rosas de Castilha caíram no chão, apareceu sobre o manto a belíssima imagem da sempre Virgem mãe de Deus, que ainda hoje pode ser vista no santuário de Tepeyac, que traz o nome de “Guadalupe”.

Depois, Juan Diego ficou perto da igrejinha de Tepeyac, da qual foi guardião e cicerone durante 17 anos, simples e humilde, testemunha e apóstolo, totalmente consagrado ao serviço da Virgem morena.

Depois da aparição de Guadalupe, as conversões ao cristianismo aconteceram em massa, chagando a 15 mil batismos por dia!

O humilde índio, mensageiro do milagre, hoje é venerado pela Igreja como São Juan Diego!

Haroldo J. Rahm, SJ

APOT – Instituição Padre Haroldo
Tel. (19) 3794-2500 – Campinas – São Paulo – Brasil

Fundador do Amor Exigente, Yoga Cristã e TLC
Site: www.padreharoldo.org.br
Blog do Pe. Haroldo: www.padreharoldo.blogspot.com