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outubro 15, 2016
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A voz que se ouve por toda a terra

Menorá_ candelabro de 7 braços - símbolo do judaísmo

Homilia para a celebração eucarística na Capela de Nossa Senhora do Bom Conselho, Faculdade de Engenharia Industrial (FEI –  São Bernardo / SP) – 28/10/2016

Irmãos e Irmãs em Jesus Cristo o Senhor da Vida, da Saúde, da Paz:

O final do mês nos permite esta reunião comunitária de fé e esperança para a escuta da Palavra de Deus na celebração da Eucaristia de Jesus. A Eucaristia nos foi legada por Jesus Cristo na véspera de sua Paixão para nos fortificar com a graça de Deus, para darmos a mais acertada resposta aos desafios de nosso dia a dia. Sim, Jesus quis, ao partir deste mundo para o Pai, ficar conosco para sempre. Jesus criou a sinergia admirável de permanecer espiritualmente em nós, para nos incitar a permanecer para sempre consigo, tendo aberto para nós o acesso ao Reino dos Céus. “Jesus passou pela vida fazendo o bem”, “Jesus retorna da terra aos Céus de onde veio” para que todos nós caminhemos com Ele na terra. Também, graças a Ele, permaneçamos em comunhão eterna. “Vinde benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos foi preparado desde o início do mundo” é o convite que desejamos receber de Jesus, Juiz no final dos tempos. Celebrar a Eucaristia é celebrar a fé recebida e acolhida em nossa vida. Celebrar a Palavra de Deus é lhe dar a oportunidade de agir em nosso íntimo e em nossa comunidade. A palavra de Deus nos oferece a sua intenção de estar ao nosso lado inspirando o melhor caminho, fortificando para mantermos o rumo progredindo sempre mais em todas as etapas da vida.

Hoje, a Carta aos Efésios ajuda a compreender a realidade da humanidade com a vinda de Jesus Cristo. A humanidade torna-se o Templo Santo de Deus no Espírito Santo. O salmista constata que Deus se faz ouvir na criação na qual age continuamente através da natureza. Lucas nos coloca diante de Jesus em oração na montanha, escolhendo os apóstolos dentre os discípulos e a seguir descendo para a planície ensinando e fazendo ao bem a toda a multidão que desejava tocá-lo para receber a energia que dele dimanava. Paulo pedagogicamente nos explica o plano realizado por Deus em Jesus Cristo: articular toda a humanidade para compor o seu povo. Todas as culturas se integram, guardando suas especificas idiossincrasias, línguas, raças, costumes. Nenhuma é excluída ou discriminada. “Cristo veio para que todos sejam salvos”. As pessoas todas se tornam próximas através de Jesus Cristo. Não há mais judeu nem pagão, grego ou latino, todas as pessoas saberão que são amadas intensamente por Deus. Unidas formam, no Espírito Santo, um corpo, o corpo de Cristo; um povo, o povo de Deus. A filiação adotiva outorgada por Deus é o passaporte de cada um, que é emitido para todos como identidade da vida nova. Não são mais estrangeiros, nem migrantes, concidadãos dos santos. Paulo menciona a pertença da humanidade salva por Jesus à família de Deus. A união se faz pela fé no Senhor.

O Senhor se revelou para ser identificado, aceito, professado através da história. A revelação foi mediada pelos profetas que anunciavam o desígnio de Deus. Jesus escolheu e enviou os apóstolos que haviam acolhido os profetas como arautos dos planos divinos para a humanidade. A palavra de Deus se deu a conhecer pelos profetas inspirados e pelos apóstolos, discípulos enviados por Jesus para anunciarem o início do Reino de Deus outrora anunciado pelos profetas. O garante dos profetas e dos apóstolos é o próprio Jesus enviado por Deus, o consagrado messias prometido. “És o que há de vir ou esperaremos por outro? ”, perguntavam os enviados de João Batista a Jesus. A resposta de Jesus foi o cumprimento das profecias anunciadas: “ide dizer a João o que vistes e ouvistes: os cegos veem, os surdos ouvem, os mudos falam, os paralíticos ouvem…”. Jesus remete João Batista, o profeta prisioneiro de Herodes aos profetas que o antecederam no mesmo ministério de “preparar os caminhos do Senhor”. Em Jesus, a obra de Deus se ajusta como o templo santo do Senhor, não mais um templo de pedra destrutível, mas os corações humanos onde o Senhor é acolhido e permanece, tornando a todos, no Espírito Santo, sua morada, a morada de Deus. Assim criando a intimidade profunda da família de Deus.

O salmista causa muita impressão revelando a sua percepção. A voz inaudível de Deus se faz ouvir pela criação. A voz da natureza, não a voz humana, mas é um som que ressoa por toda a terra, que envolve todo o firmamento. A natureza atesta a arte e a identidade do criador. A natureza é reveladora. Por ela as pessoas podem descobrir o seu Autor e Conservador. Os céus desfilando astros e estrelas, o sol percorrendo seu caminho do nascente ao poente completa um ciclo dia a dia transmissor da mensagem divina, noite a noite publica a notícia da sequência de luz e trevas. “A silenciosa Escritura dos céus”. Este salmo é aplicado ao “Verbo de Deus, Sol de Justiça”, na liturgia do Natal.
O Evangelho de Lucas com muita sabedoria nos envolve na vida missionária de Jesus. Jesus sobe à montanha para rezar, falar com Deus. O Filho confere com o Pai a sua vida e missão. Momento de intimidade de fortalecimento para discernir a vontade de Deus. “Jesus viveu em tudo a condição humana, menos o pecado”. Jesus nunca ofendeu a Deus, mas necessitava usar seu talento para realizar os desejos de Deus para salvar a humanidade. Jesus faz um pequeno retiro, passa a noite toda orando. A atitude de Jesus não só ficou impressa na memória dos discípulos, mas tornou-se uma marca para todos os apóstolos a necessidade da intimidade com Deus.

A missão de Jesus conferida por Deus necessitava ser alimentada na intimidade da prece filial para suas decisões. O tempo corria, era necessário designar pessoas escolhidas para que recebessem a palavra de Deus revelada por Jesus, pudessem transmiti-la, por sua vez, de geração a geração, até o final dos tempos. “A messe é grande, os operários são poucos, rogai ao Senhor da messe que envie operários”, reagiu Jesus ao contemplar a sede de Deus e de sua palavra nas multidões que perambulavam “como ovelhas sem pastor”. Ao amanhecer Jesus chama os discípulos até a montanha e entre eles escolhe 12 para anunciarem o evangelho do Reino de Deus e curar todas as pessoas enfermas, como Ele procedia. Desce com eles caminhando para um lugar plano onde estavam outros discípulos e uma enorme multidão de pessoas vindas de Jerusalém, Judéia, Tiro e Sidônia para ouvirem sua palavra e serem curadas de suas enfermidades. Jesus foi cercado por todos que se comprimiam para poder tocar em sua pessoa, porque dele emanava uma energia uma força salutar. Jesus havia se retirado para orar. Após a oração, chama os discípulos e escolhendo os doze apóstolos, com eles dirige-se onde estavam os outros com a multidão que o aguardava para seguir ouvindo sua palavra e ser curada de suas enfermidades, desejando tocá-lo com suas mãos para receber fisicamente a transmissão da força divina que ele transmitia.

Irmãos e irmãs, com alegria todos nós possamos responder aos apelos do Senhor para que o reconheçamos na natureza irradiando sua presença e glória como sugere o salmista. Com esperança nos reconheçamos como pertencentes da família de Deus, partilhando de sua intimidade, seguros do alicerce de nossa fé nos apóstolos, nos profetas e no próprio Jesus. Com entusiasmo aceitemos o convite de Jesus para rezarmos com Ele e percorrermos os caminhos em direção a todos que buscam e querem encontrar o Senhor, sua Palavra e seu Milagre salvador.

Pe. Theodoro Peters, s.J.