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Aborto: uma ferida incurável?

O que boa parte da mídia julga “correto” insinua nas pessoas a ideia de que o aborto é um ato “banal”. A realidade vivida por cerca de 250 mil mulheres – entre elas um número crescente de jovens – que recorrem à IVG (“Interrupção Voluntária da Gravidez”), cada, ano é muito diferente. Na imensa maioria dos casos, estas mulheres sofrem antes, e, por vezes, muito tempo depois.

Abortar – isto faz mal!

Cris, 30 anos, 3 filhos, atravessa um momento difícil: está desempregada, tem insônia e está deprimida. Está tão mal que esqueceu de tomar a pílula. Seu aborto lhe deixará um gosto amargo. Valéria está feliz de esperar uma criança. Mas seu companheiro lhe diz: “É ela ou eu!”. Dilaceramento! Ela escolhe abortar. Algumas semanas mais tarde ela constata: “Perdi os dois…”.

São numerosas as mulheres que, depois de um aborto, e sem o confessar abertamente, se sentem mal, muito mal. Remorsos, culpabilidade e amargura as dominam frequentemente.

A Igreja católica desaprova o aborto, porque é um atentado contra a vida, mas reconhece a dor das mulheres que preferiram abortar, muitas vezes constrangidas. A estas, porque Jesus tem um olhar cheio de compaixão pelos erros humanos, ela propõe um caminho de cura interior.

Sair da culpabilidade e ousar ver

O “stress” pós aborto pode se traduzir por todo tipo de angústias, perda do gosto de viver, mas também por males físicos (perda de sono, problemas intestinais, depressão…). Curá-los, com ajuda de alguém capaz de ouvir atenta e respeitosamente, é uma condição indispensável, para recomeçar a vida.
Não adianta se culpar. Pelo contrário, é preciso fazer um trabalho sobre si para fazer vir à tona o que se esconde sob aquela gravidez e a decisão de abortar. Frequentemente, são mecanismos inconscientes, postos em ação por feridas antigas, desejos ocultos ou situações confusas, que, se não veem à luz, correm o risco de se involucrar num sofrimento sem fim ou de reproduzir os mesmos efeitos.

Fazer um trabalho de luto

Reconhecer a realidade do que se passou, sair da negação e banalização, deixar emergir seu sofrimento é o primeiro passo desse trabalho de luto.

Mais e mais, as mulheres tomam consciência que mesmo no caso de uma falsa gravidez não provocada, há um trabalho de luto a ser feito.

Outra etapa deste trabalho de luto: o perdão. Perdoar a si mesma, aceitar, na doçura e misericórdia, o que se passou, e se amar novamente. Perdoar a mãe ou o pai que a feriram na infância, ao cônjuge ou companheiro que, talvez, a empurraram a procurar o aborto.

Longos caminhos que não podem ser percorridos na solidão

Estes caminhos são válidos também para os parceiros que estiverem envolvidos na decisão de procurar o aborto e cujo sofrimento, muitas vezes, é ignorado.

Certamente há, no caminho, alguém que estenderá a mão, como Jesus fez, e que nos ajudará a recomeçar a vida.

Se Jesus estivesse lá…

De certo, Ele não condenaria a mulher que abortou e sofre. Jesus sempre encontrou em sua passagem homens e mulheres em grave discordância com a lei, e com os quais teve encontros admiráveis. Nunca, Ele deu as costas a quem estivesse em falta. A disposição generosa do coração Lhe importava mais do que os atos realizados.

Recordemos o episódio da mulher adúltera! Para todo bom judeu ela merecia ser apedrejada, conforme a Lei! Perguntam a Jesus: “E tu, o que dizes?”. A resposta é inesperada: “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra”. . Silêncio! Em seguida, um após outra, cabeças baixas – “a começar dos mais velhos” – eles se retiram. A mulher, prostrada, não entendia nada. Constata Jesus: “Ninguém te condenou. Eu também não te condeno. Vá, e não peques mais” (Jo 8,3-11). Deus dá seu perdão a quem pede.

A Igreja católica oferece um caminho de reconciliação. Cristãos, cristãs, padres, religiosos, religiosas podem ajudar cada qual a ver mais claro.

Um ato grave

Quando uma mulher se encontra grávida “sem ter querido”, fica num estado de choque e transtornada. Não há “boa” decisão. E, no entanto, há urgência em tomar uma! Decidindo-se a abortar, a mulher -, certamente, seu parceiro e/ou família – comete um ato grave.

A Igreja sempre condenou o aborto, pois “a vida humana tem um valor sagrado, desde a concepção até a morte”.

Em 1995, João Paulo II escreveu: “Declaro que o aborto direto, isto é querido como fim ou como meio, constitui sempre uma grave desordem moral, pois é a morte deliberada de um ser humano inocente” (“Evangelho da Vida” § 62).

Recomendar-se à própria consciência

As mulheres que se decidem a abortar têm, frequentemente, a íntima convicção de “fazer o melhor”. Se o ato é grave, eles obedecem, contudo, à própria consciência, sem dúvida sem conhecer a recomendação da Igreja: “A dignidade humana exige que ele aja segundo escolha livre e consciente” (“Alegria e esperança” – “Gaudium et Spes” – §17, Vaticano II).

A Igreja é misericordiosa

João Paulo II, na sua encíclica “Evangelho da Vida”, §99, escreveu: “Gostaria de dirigir um pensamento particular a vocês, mulheres, que recorreram ao aborto. A Igreja sabe quantos condicionamentos pesaram sobre a decisão de vocês. E não duvida que, em muitos casos, ela foi dolorosa e mesmo dramática. É provável que a ferida de suas almas ainda não tenha se cicatrizado. Na verdade, o que ato realizado foi e continua sendo profundamente injusto…”.

“No entanto, não se deixem desencorajar e não renunciem à esperança. Saibam, pelo contrário, compreender o que se passou e interpretá-lo na verdade. Se ainda não o fizeram, abram-se à humildade e ao arrependimento. O Pai de toda misericórdia espera vocês para lhes oferecer seu perdão e sua paz no sacramento da reconciliação”.

Abençoai, Senhor, todos os que sofrem tristeza!

Uma oração de Santa Edite Stein

Bendito seja o espírito alquebrado dos sofredores,
A pesada solidão das pessoas,
Aquelas que não conhecem repouso,
Sofrendo sem se abrir com ninguém.

Benditos os corações, Senhor,
Benditos os corações amargurados.

Antes de tudo, concede aos doentes alívio,
Ensina o esquecimento aos que Tu privaste
Do bem que lhes era mais precioso.
Não deixes ninguém nesta terra
Na amargura.