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Bem-aventurada Albertina Berkenbrock

Bem-aventurada Albertina Berkenbrock

Dia 20 de outubro de 2007, a Diocese de Tubarão, cujo território foi desmembrado da Arquidiocese de Florianópolis em 1954, viveu um momento histórico: a beatificação de Albertina Berkenbrock. Todo o nosso Estado de Santa Catarina participa desse momento de alegria, pois se trata da primeira filha catarinense elevada às honras dos altares.
Albertina teve uma vida muito breve (1919 – 1931), muito simples (filha de um casal de agricultores) e muito cristã, como o atestam seus familiares, colegas e professores. Não se procure, nessa menina que viveu somente doze anos, grandes e sublimes pensamentos – embora seja confortador ouvir seu testemunho a respeito do dia de sua primeira comunhão: “Foi o dia mais belo de minha vida!” Albertina pertence a outra classe de pessoas extraordinárias – o daquelas que testemunham com o dom da vida sua fé, seu amor e as razões de sua esperança.
Assassinada porque quis preservar sua pureza, Albertina testemunha aos adolescentes e jovens de hoje valores que não passam. Vivendo em um mundo em que o hedonismo é buscado de forma exacerbada e em uma época em que o sexo é exaltado como um valor em si, desligado de qualquer compromisso ou responsabilidade, olhamos para Albertina para descobrir a profundidade das palavras de Jesus Cristo: “De que adianta a alguém ganhar o mundo inteiro, se arruinar sua vida?” (Mt 16,26). Tivesse ido atrás do prazer imediato, da glória efêmera ou de bens que traças corroem (cf. Mt 6,19), não só seria uma ilustre desconhecida – o que seria de menos, como teria comprometido sua vida eterna.
Com seu martírio, Albertina é uma testemunha privilegiada da realeza de Cristo. Sua intuição de adolescente que vivia intensamente sua fé fez com que respondesse ao agressor que tentava dominá-la: “Eu não quero pecar!” Tinha clara consciência de que pecar era agir de forma contrária à vontade de Deus. E, para confirmar sua aliança com Deus pelo Batismo, aliança reafirmada no dia de sua crisma (1925) e consolidada no dia de sua primeira comunhão (1928), a jovem catarinense derramou seu sangue. Santo Agostinho dizia que a fé dos mártires é uma fé provada, como testemunha o sangue que por ela derramaram (Sermão 329). Ela é um apelo vivo a todos nós, a também darmos testemunho de Jesus Cristo em nossa vida cotidiana. Para nós, provavelmente Cristo não pedirá o derramamento de sangue, mas pede-nos, sim, que em um mundo em que a mediocridade é exaltada, saibamos dar testemunho de seu Evangelho, fielmente, dia por dia.
Albertina, como mártir, é um modelo de amor a Deus e ao próximo. Diante de seu testemunho, nasce em nosso coração uma grande ação de graças: em primeiro lugar, por tudo o que Deus realizou no coração dessa sua filha; depois, por seus pais, que a formaram de tal modo que fizeram dela uma cristã e mártir.

* Dom Murilo S.R. Krieger, Arcebispo Primaz do Brasil

** Memória litúrgica em 15 de junho