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Bento XVI escreve sobre o Coração de Jesus – 2 – Conhecer o amor de Deus em Jesus Cristo

Conhecer o amor de Deus em Jesus Cristo

BentoXVI_Saudando

Na Encíclica “Deus caritas est” (“Deus é amor”), citei a afirmação da primeira Carta de São João: “Nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e acreditamos nele”, para realçar que na origem do ser cristão está o encontro com uma Pessoa (cf. n. 1). Porque Deus se manifestou do modo mais profundo através da encarnação do seu Filho, tornando-se “visível” n’Ele, é na relação com Cristo que podemos reconhecer quem é verdadeiramente Deus2. E ainda: dado que o amor de Deus encontrou a sua expressão mais profunda no dom que Cristo fez da sua vida por nós na Cruz, é sobretudo olhando para o seu sofrimento e para a sua morte que podemos reconhecer de modo sempre mais claro o amor sem limites que Deus nos tem: “Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigênito, a fim de que todo o que crê não se perca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Por outro lado, este mistério do amor de Deus por nós, entre outras coisas, não constitui apenas o conteúdo do culto e da devoção ao Coração de Jesus: ele é, de igual modo, o conteúdo de qualquer espiritualidade e devoção verdadeira. Por conseguinte, é importante realçar que o fundamento desta devoção é antigo como o próprio cristianismo. De fato, só é possível ser cristão com o olhar dirigido para a Cruz do nosso Redentor, “Àquele a quem trespassaram” (Jo 19,37; cf. Zc 12,10). Justamente a Encíclica Haurietis aquas recorda que a ferida do lado e as dos pregos foram para numerosas almas os sinais de um amor que informou cada vez mais a vida deles (cf. n. 52). Reconhecer o amor de Deus no Crucificado tornou-se para elas uma experiência interior que lhes fez confessar, juntamente com Tomé: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28), permitindo-lhes alcançar uma fé mais profunda no acolhimento sem reservas do amor de Deus3.