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Bento XVI escreve sobre o Coração de Jesus – 3 – Experimentar o amor de Deus, dirigindo o olhar ao Coração de Jesus Cristo

Experimentar o amor de Deus, dirigindo o olhar ao Coração de Jesus Cristo

BentoXVI_Saudando

O significado mais profundo deste culto ao amor de Deus só se manifesta quando se considera mais atentamente o seu contributo não só ao conhecimento, mas também e sobretudo, à experiência pessoal deste amor na dedicação confiante ao seu serviço4. Obviamente, experiência e conhecimento não podem estar separados: um faz referência ao outro. É necessário entre outras coisas realçar que um verdadeiro conhecimento do amor de Deus só é possível no contexto de uma atitude de oração humilde e de generosa disponibilidade. Partindo desta atitude interior, o olhar fixo no lado trespassado pela lança transforma-se em adoração silenciosa. O olhar no lado trespassado do Senhor, do qual jorram “sangue e água” (cf. Jo 19,37), ajuda-nos a reconhecer a multidão dos dons de graça que daí procedem5 e nos abre a todas as outras formas de devoção cristã que estão incluídas no culto ao Coração de Jesus.
A fé, compreendida como fruto do amor de Deus experimentado, é uma graça, um dom de Deus. Mas o homem só poderá experimentar a fé como uma graça na medida em que a aceitar dentro de si como um dom, do qual procura viver. O culto do amor de Deus, ao qual a Encíclica Haurietis aquas convidava os fiéis6, deve ajudar-nos a recordar incessantemente que Ele assumiu sobre si este sofrimento voluntariamente “por nós”, “por mim”. Quando praticamos este culto, não reconhecemos só com gratidão o amor de modo que a nossa vida seja por ele cada vez mais modelada. Deus, que infundiu o seu amor “nos nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado” (cf. Rm 5,5), convida-nos incansavelmente a acolher o seu amor. O convite a doar-se totalmente ao amor salvífico de Cristo e a dedicar-se a ele7 tem portanto como primeira finalidade a relação com Deus. Eis porque este culto, totalmente dirigido ao amor de Deus que se sacrifica por nós, é de importância insubstituível para a nossa fé e para a nossa vida no amor.