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Bento XVI escreve sobre o Coração de Jesus – 4 – Viver e testemunhar o amor experimentado

Viver e testemunhar o amor experimentado

BentoXVI_Saudando

Quem aceita o amor de Deus interiormente, é por ele plasmado. O amor de Deus experimentado é vivido pelo homem como uma “chamada” à qual ele deve responder. O olhar dirigido ao Senhor, que “tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores” (Mt 8,17), ajuda-nos a tornar-nos mais atentos ao sofrimento e à necessidade dos outros. A contemplação adorante do lado trespassado pela lança torna-nos sensíveis à vontade salvífica de Deus. Torna-nos capazes de nos confiarmos ao seu amor salvífico e misericordioso e ao mesmo tempo fortalece-nos no desejo de participar na sua obra de salvação tornando-nos seus instrumentos. Os dons recebidos do lado aberto, do qual saíram “sangue e água” (cf. Jo 19,34), fazem com que a nossa vida seja também para os outros fonte da qual promanam “rios de água viva” (Jo 7,34)8. A Experiência do amor haurida do culto do lado trespassado do Redentor tutela-nos do perigo do fechamento em nós mesmos e torna-nos mais disponíveis para uma vida para os outros. Disto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós, portanto também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16)9.
A resposta ao mandamento do amor se torna possível só pela experiência que este amor já nos foi dado primeiro por Deus10. O culto do amor que nos torna visível no mistério da Cruz, representado em cada Celebração eucarística, constitui portanto o fundamento para que possamos converter-nos em instrumentos nas mãos de Cristo: só assim se pode ser arautos credíveis do seu amor. Esta abertura à vontade de Deus, contudo, deve renovar-se em cada momento: “O amor nunca está “concluído” e completo”11. O olhar no “lado trespassado pela lança”, no qual resplandece a vontade ilimitada de Deus, não pode ser considerado como uma forma passageira de culto ou de devoção: a adoração do amor de Deus, que encontrou no “coração trespassado” a sua expressão histórico-devocional, permanece imprescindível para uma relação viva com Deus12.
Com os votos de que a celebração cinquentenária sirva para estimular em muitos corações uma resposta cada vez mais fervorosa ao amor do Coração de Cristo, concedo-lhe, Reverendíssimo Padre, e a todos os Religiosos da Companhia de Jesus, sempre muito ativos na promoção desta fundamental devoção, uma especial Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Maio de 2006.

NOTAS

Publicamos Carta do Santo Padre Bento XVI ao Pe. Peter-Hans Kolvenbach, na época Prepósito-Geral da Companhia de Jesus, por ocasião do 50º aniversário da Encíclica Haurietis Aquas, do Papa Pio XII. Tomamos o texto do sítio do Vaticano 
(www.vatican.va).

1. Insegnamenti, vol. IX/2, 1986, pág. 843.
2. Cf. Enc. Haurietis aquas, 29-41; Enc. Deus caritas est, 12-15).
3. Cf. Enc Haurietis aquas, 49.
4. Cf. Enc Haurietis aquas, 62.
5. Cf. Enc Haurietis aquas, 34-41.
6. Cf. ibid., n. 72.
7. Cf. ibid., n. 4.
8. Cf. Enc. Deus caritas est, 7.
9. Cf. Enc Haurietis aquas, 38.
10. Cf. Enc. Deus caritas est, 14.
11. Cf. Enc. Deus caritas est, 17.
12. Cf. Enc. Haurietis aquas, 62.