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Caim e Abel são muito populares!

caimabelR. Paiva, SJ

São muito populares e conhecidos, hoje, e eram muito populares, quando um Escritor inspirado usou sua história para iluminar os corações e mentes das pessoas de seu tempo e de todos os tempos. Assumida pelo Povo de Deus como instrução da Sabedoria do Senhor, o drama dos dois irmãos é muito nosso. Caim era agricultor e “industrial”, homem “de cidade”. Abel era pastor, homem “do campo” (Gn 4,1-16). Historicamente, pastores e agricultores, gente da cidade e gente do campo sempre tiveram suas diferenças, que chegaram até mesmo ao derramamento de sangue. Dentro das famílias, as brigas por herança, os ciúmes e também assassinatos, acontecem. Não há geração, nem lugar do mundo que não tenham suas tristezas para contar a respeito. E o que são as guerras e guerrilhas, opressões e terrorismos, muros de condomínios e favelas, senão repetidas histórias de Caim e Abel?

Irmão mata Irmão!

Uma vez, em Paulo Afonso, as pessoas do Movimento Bíblico me perguntaram se Caim e Abel existiram. Tive de responder: Olhemos em volta! Não só existiram mas continuam a existir! Um grande e santo homem, Dom Luciano Mendes de Almeida, jesuíta, um dia disse que no mundo havia abundância de recursos naturais e humanos, notável ciência e técnica. O que tem estado em falta é a caridade.

Até nas coisas pequenas, e, talvez, sobretudo nelas. Contaram-me que uma senhora criticava asperamente o Padre, no banco mesmo da Igreja, durante a Missa, porque o pobre fazia a homilia sentado. Na verdade, Jesus costumava sentar para falar ao povo: uma vez na barca de Simão Pedro (Lc 5,2), outra vez na encosta da montanha (Mt 5,1). Lembram-se?

A Caridade é a vida da Trindade: Deus é amor. Quem ama permanece em Deus. Quem ama seu irmão, mesmo inimigo, neste permanece o Amor de Deus (ver 1Jo 4). Só o dom maior da Caridade (1Cor 12,31-13,13) pode nos curar do “complexo de Caim e Abel”.