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setembro 2, 2013
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setembro 2, 2013

Catequese do Papa Francisco – 1 – por Dom Orlando Brandes

Catequese do Papa Francisco – I

O Papa Francisco tem o dom de bater nas portas dos corações. Não está preocupado com ideias, nem altas teologias, mesmo sendo grande teólogo e psicólogo. Ele quer falar aos corações como um pai a seus filhos. Suas catequeses são pastoralmente corajosas, fortes, encorajadores. Neste artigo vamos recordar alguns temas básicos e centrais das falas do Papa.

1. A centralidade da misericórdia. Ele não tem receio de afirmar que pecou e que é pecador. Sempre pede a oração de todos. Isso tudo revela a experiência profunda da misericórdia divina em sua via. Ele deseja que nosso século seja o “Século da Misericórdia”. Repete constantemente: “como é admirável a paciência de Deus para conosco”. A misericórdia de Deus se manifesta na sua compreensão, acolhimento e perdão. Deus sempre nos espera de braços abertos e nos lança para frente.

2. A cultura do encontro. O Papa Francisco é o Papa com quatro “p”: de povo, de periferia, de proximidade, de pobre. Quanta profundidade em tudo isso. Ele nos impede ao êxodo, à saída de nós mesmos, portanto, às periferias existenciais. Eis o que é a “cultura do encontro”. O encontro acontece onde existe a “humildade do diálogo”. O mundo elegeu a “cultura da indiferença”. Por isso perdemos a capacidade de chorar e nos tornamos insensíveis à dor alheia, aos pobres, aos doentes. O mundo se interessa mais pela bolsa de valores do que com a vida humana, diz o Papa.

3. A beleza da simplicidade. Ser simples sem deixar de ser nobre, é o que o Papa nos ensina. A simplicidade está nos gestos. Temos um “Papa de carne”, escreveu Dom Loris Capovilla, que foi o Secretário Particular do Beato João XXIII. Este Papa “me ressuscitou”, afirma, Ele é muito parecido com o Papa João XXIII, disse Dom Loris, que vive no norte da Itália e tem 98 anos. Sim, o Papa Francisco tem a simplicidade e bondade de João XXIII, a tenacidade e ternura de Paulo VI, o sorriso e alegria de João Paulo I, o entusiasmo missionário de João Paulo II e a sabedoria e profundidade de Bento XVI.

Na lógica da simplicidade o Papa Francisco pede que os seminaristas não sejam burgueses, que os padres não sejam administradores, mas, pastores. Os bispos não tenham a “psicologia de Príncipes” e as religiosas sejam mães e não solteironas. Eis onde chega a beleza da simplicidade. Deus é simples. “A humildade é um traço essencial de Deus, é seu DNA”. (Papa Francisco). Deus entra sempre pela porta da simplicidade, da pequenez. Sem simplicidade nossa missão está fadada ao fracasso. Quando a Igreja se afasta da simplicidade, ela desaprende o Evangelho. Perdemos fieis porque desaprendemos a simplicidade. Sem a gramática da simplicidade, o povo não vai nos compreender.

 Dom Orlando Brandes, Arebispo de Londrian / PR