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Coisas da Bíblia: Jacó e sua esperta família

jaco_raquelPe. Paiva, SJ

Há famílias de médicos e famílias de lavradores ou de comerciante. E há famílias de gente esperta! Assim era a família da espertíssima Rebeca! Quando aquele rapaz, coberto de poeira, sozinho, sem presentes finos chegou como parente pobre para pedir uma de suas filhas em casamento, o esperto Labão não o mandou de volta. Calculou que poderia aproveitar a mão de obra de um sujeito jovem e forte, que mostrara coragem e habilidade ao percorreu meio Oriente, desde Bersabé, nos limites do deserto do Sinai, até ao norte do país dos dois rios, a Mesopotâmia, região que, hoje, é província setentrional do Iraque. Ainda mais que Jacó se mostrava visivelmente encantado com os graciosos olhos e magnífica silhueta de Raquel, a sua filha mais moça. Fizeram um contrato: por sete anos o rapaz trabalharia como pastor. E diz o narrador bíblico: “Jacó serviu sete anos por Raquel, e estes lhe pareceram poucos dias, de tal modo a amava!” (Gn 29,20).

Chegou o dia feliz do “casório”! Somente que, o esperto Labão, entregou para a noite de núpcias, devidamente velada no escuro da tenda, a filha mais velha, Lia, a de olhos sem graça! Se Jacó quisesse também Raquel, no fim de uma semana, teria de ajustar mais sete anos de trabalho! Jacó conformou-se, recebeu Raquel como esposa depois da semana de “lua de mel” com Lia, e ainda ganhou um bônus: a concubina Bala. Labão, bom chefe de tribo, sabia do valor de numerosos filhos e filhas naqueles tempos e lugares! Deixemos um pouco de lado as histórias conjugais de Jacó, para ver como ele foi aprendendo a ser também bom de negócios, com o exemplo do querido sogro!

Jacó fez que ia embora, de volta às tendas de Isaac… Labão teve receio de perder a colaboração de tão prestativo genro, e, além disso, tão despretensioso, porque pediu como paga por um novo período de serviço, apenas as crias malhadas dos rebanhos de ovelhas e cabras do amigo sogro! Eram exceções, raridades quase! Conta a Bíblia – e não sei se os zoólogos concordam – que Jacó, bom observador da natureza, teria colocado varas habilmente descascadas, de modo a ficarem listradas, diante dos olhos das cabras e ovelhas prenhes, e elas davam um número extra de crias malhadas! E só colocava as varas diante dos animais robustos: “Deste modo, as crias débeis ficavam para Labão e as robustas para Jacó. E ele se tornou riquíssimo, e teve rebanhos em quantidade, servos e servas, camelos e jumentos” (Gn 30.42-43).

Se houvesse um brasileiro por lá, naqueles dias tão distantes, talvez se lembrasse de um ditado que diz: “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”!