Coisas da Bíblia: Jacó e sua esperta família
abril 17, 2013
Coisas da Bíblia: Jacó, o Abençoado, é castigado
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Coisas da Bíblia: Jacó vira Israel!

Pe. Paiva, SJ

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Tendo progredido, dono de seus próprios rebanhos, com duas esposas e mais concubinas, um pequeno e promissor “rebanho” de filhos também, Jacó se despediu de Labão, de volta para junto das tendas de Isaac. Estava preocupado com a vingança de Esaú, e lhe enviou recados: “Eis a mensagem de teu servo Jacó: ‘Fui hóspede na casa de Labão e lá morei até agora. Adquiri bois e jumentos, rebanhos, servos e servas. Quis mandar notícia disto a meu senhor para obter sua benevolência” (Gn 32,6).

Jacó, porém, teve toda razão de se assustar quando soube que Esaú vinha de seus acampamentos nas montanhas de Edom com 400 homens a seu encontro: “Jacó teve grande medo e a angústia o assaltou”. Tomou algumas providências práticas, e, em particular, rezou: “Deus de meu pai Abraão e de meu pai Isaac, Senhor, que me ordenaste: ‘Volta para o teu país, a tua pátria, que eu te serei favorável’. Sou indigno de todos os favores e de toda a bondade que mostraste a este teu servo. Não tinha nada além do meu bastão, ao atravessar o Jordão e eis que torno como dois acampamentos. Salva-me das mãos de Esaú…” (Gn 32,10-13).

No dia seguinte, Jacó separou um bom presente de animais enviando um rico donativo ao irmão. E, de noite, fez sua família atravessar o rio Jaboc, afluente do Jordão pela margem esquerda. Ficou sozinho, talvez querendo rezar. Afinal teria a consciência pesada por ter enganado seu pai Isaac, aceitando a tramóia de sua decidida mãe, Rebeca. Mas não teve uma noite de “paz pela oração”. Pelo contrário! Foi uma noite de luta: “Jacó ficou só. Alguém lutou contra ele até o despontar da aurora. Vendo que não podia dominá-lo, tocou-lhe a articulação do quadril e a articulação da coxa de Jacó se deslocou, enquanto lutava. Disse o personagem: ‘Larga-me, porque já desponta a aurora!’. Respondeu Jacó: ‘Não te largarei, se não me deres a bênção!’. Ele perguntou: ‘Qual é o teu nome?’. Jacó respondeu: ‘Jacó’…”

Até agora nos tinha sido apresentado um Jacó esperto, chegando a espertalhão, calculista e com medo diante das consequências de suas manobras da primeira juventude. Agora o narrador nos mostra uma conversão: ele tem uma experiência solitária de luta. Teve de se defender de um agressor desconhecido toda uma noite! Mas pressente que esta não é uma luta contra um assaltante comum. Havia algo de solene e espantoso naquela briga no escuro da noite, naquele momento de sua vida. Mas do que uma prova de força, pareceu-lhe ter vivido uma iniciação. Iniciação a quê? Ela não sabia, mas sua intuição o leva a pedir a bênção ao estranho…