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Coisas da Bíblia: Moisés tem de entrar em conflito

R. Paiva, SJ

moises_serpenteMoisés tem de entrar em conflito (Ex 4)

Uma vez Jesus iria nos dizer que nos enviava como ovelhas para o meio de lobos (Mt 10,16). Quem quer evitar conflito, nem tente servir ao Deus de Abraão, Isaac e Jacó. E o que Ele nos oferece é o apoio na luta, que nós mesmos de travar: a vida é dom feito a nós, e somente nós podemos vivê-la! Mas Ele se faz Deus conosco, quando o aceitamos.

Não quer dizer que Ele se propõe a manipular os que o acolhem na fé, transformando-os em bonecos! Ele se propõe como nosso aliado. Não nos dispensa de assumir responsabilidades, mas nos ajuda a assumi-las. Esta é a lição que Moisés vai aprender às próprias custas: Deus o chama para ganhar a vida com o suor do próprio rosto (Gn 3,19). O Pai do Céu não é como estes pais da terra, que, em nome de um amor, que é moeda falsa, mimam a mais não poder seus filhos e os estragam irremediavelmente. Em outras palavras, a história do Êxodo, embora maravilhosa aos olhos dos narradores e dos redatores (muitos séculos depois), não é estória do país de fadas, mas de uma luta pela liberdade.

Como alguém justamente escreveu, que esta história do Êxodo, mesmo com seus quadros mágicos, não é uma lenda que um povo inventaria! É a lembrança de uma escravidão humilhante e de uma libertação sofrida, realizada numa caminhada penosa, mas amparada pela mão de Deus. Os acontecimentos, que serão narrados como a viagem real de Vasco da Gama de Lisboa à Índia, “por mares nunca dantes navegados”, com tons gloriosos e épicos, são a ossatura forte do que de fato se passou.

Moisés se mostrou relutante, ali, solitário, diante de uma vocação que o afastava de uma vida tão ajustada de pastor, genro do rei pastor, Jetro, e o devolvia ao cenário de sua juventude turbulenta, ao Egito. Os prodígios do bastão que se muda em cobra, e volta a ser o velho bastão de costume, simboliza que, atrás de sua realidade banal, há uma força maior. Sua mão, tingida do asqueroso branco da lepra, que volta ao normal, significa que Deus toma partido não do Faraó, mas dos excluídos e desprezados como escravos sem valor pelo mesmo Faraó.