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Coisas da Bíblia: O Bastão Maravilhoso

Antes de cantarmos com o bando de escravos fugitivos, o hino heróico da vitoriosa fuga, vamos olhar o maravilhoso bastão ou cajado nas mãos de Moisés. Quando Moisés se decidiu obedecer e voltar ao Egito, depois do seu encontro vocacional com o Senhor (Ex 3,3), diz nosso relato: “Moisés tomou sua mulher e seus filhos e os fez montar em asnos e dirigiu-se ao Egito. Na mão levava seu bastão maravilhoso” (Ex 3,20).

Ora, o bastão de Moisés era simplesmente o seu cajado de pastor! Este bastão “maravilhoso” retorna no capítulo 7 do Livro do Êxodo: atirado diante do Faraó se transformou numa serpente. A maravilha não pareceu muita coisa, porque os bastões dos mágicos da corte também se transformaram em serpentes. Só que o “bastão – serpente” de Moisés engoliu os outros “bastões – serpentes” dos mágicos: “E o Faraó teimou e não lhes deu atenção (a Moisés e Aarão), conforme o Senhor havia anunciado” (Ex 7,9-13).

 Moisés tinha sido educado na corte e conhecia seus mitos e ritos. Mas o caminho “mágico” não deu certo! A libertação não chegaria por este campeonato de maravilhas, banais aos olhos de um poder habituado a manipulá-las e a se divertir com elas. O Êxodo aconteceu, sim, mas aproveitando um momento de crise do império egípcio, e não por uma estrada real, mas pela restinga de areia entre lagunas de juncos e o mar.

O bastão maravilhoso se ergueu para dar sinal ao povo de que o vento leste, soprando a noite toda, tinha aberto a passagem para o cortejo de fugitivos (Ex 14,21-23). Mas não era nenhuma magia sua que causava a libertação e sim o sopro impetuoso do Deus dos vivos, que se manifestava a favor dos oprimidos contra os poderosos deste mundo. Israel passou e até hoje testemunha os prodígios de Deus, apesar de vacilações e pecados (ver Salmo 77/78). Os egípcios ficaram com suas múmias e pirâmides na poeira da história humana.