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Coisas da Bíblia: Passagem! Páscoa!

R. Paiva, SJ

moises_pascoaPassagem! Páscoa! (Ex 12)

Muito antes de que o Livro do Êxodo tomasse a forma que conhecemos, o povo hebreu celebrava sua Páscoa, cantava sua Páscoa e narrava, de geração a geração, a sua Páscoa! No meio de narrativas sem datação clara – coisa desimportante naquelas eras, surge uma data no texto bíblico: “Este mês será para vós o principal dos meses. Para vós será o primeiro dos meses do ano. Falai assim a toda a comunidade de Israel… O cordeiro será guardado até o décimo quarto dia deste mês… Naquela noite comerão da sua carne assada… Nada ficará dele até a manhã… Durante sete dias comereis pães sem fermento (ázimos). Desde o primeiro dia, tirareis todo fermento de vossas casas… no primeiro mês, no dia quatorze do mês, à tarde (…) até a tarde do dia 21 do mesmo mês…” (Ex 12,2-18).

No antigo Israel, este mês era o mês de “Abib” (depois chamado com a palavra caldaica “Nizã”), isto é, o mês “das Espigas”, quando chegava o tempo da colheita. Era uma festa antiga: para os lavradores, tratava-se de deixar de fora o fermento velho para não prejudicar a nova safra; para os pastores, o tempo de migrar com seus rebanhos para novas pastagens na lua cheia da primavera, tempo de viajar. Era festa que celebrava o ciclo da natureza. Com a notável experiência da libertação pela Mão poderosa do Deus de Abraão, Isaac e Jacó, a Páscoa se tornou uma celebração de um momento histórico, nunca esquecido e sempre inscrito no coração e nos costumes do Povo de Israel! Começava o Êxodo, o Caminho Libertador! Pela primeira vez na história humana, a divindade se punha do lado dos oprimidos, livrando-os da mão dos opressores!

O Faraó mesmo era uma espécie de deus entre os mortais. O culto aos mortos, o medo da morte eram decisivos entre os egípcios, inventor das perfeitas múmias e das pirâmides, preocupados com a conservação de algum tipo de vida. Também os deuses dos cananeus, dos caldeus, dos assírios, dos hititas eram personificações do poder das cidades, impérios e seus reis…

Mas o Deus de Abraão, Isaac, se manifesta, desde aquela noite antiga, sempre nova, como o Libertador dos humilhados! Sua Mãe iria cantar: “Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes!” (Lc 1,52)!