O Vaticano contra as drogas
julho 28, 2017
Leitura orante: São João Maria Vianney
agosto 3, 2017

Contemplando com Santo Inácio, para alcançar o amor

Contemplação para alcançar o amor *
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Tempo de amar: para começo de conversa duas observações de Santo Inácio (EE 230-231)
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Amor, que amor? O amor da velha canção: “O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou”? Depois de sua conversão, Santo Agostinho passou um período sem gostar desta palavra, por conta da poluição que a envolvia e na qual se envolvera por tantos anos. Passou a usá-la com afeto renovado pela leitura e comentário da Primeira Carta de São João: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo – desejo incontrolado da carne, desejo incontrolado dos olhos e orgulho dos bens da vida – não vem do Pai, mas do mundo. Mas o mundo passa e seus desejos imoderados também, mas o que cumpre a vontade de Deus permanece para sempre” (1Jo 1,15-17).
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E o que o Senhor mais deseja (sua justiça) é que o filho perdido volte para casa, para o abraço e para a festa, e que o filho mais velho não fique fora, preso ao despeito e ao rancor, mas que entre e acolha o irmão (Lc 15,31-32). O Pai quer que alcancemos, no Espírito do Amor do Pai e do Filho, o Amor de Cristo: “Nisto consiste o seu amor: Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e mandou seu Filho como expiação pelos nossos pecados. Caríssimos, se a este ponto Deus nos amou, também nós devemos nos amar uns aos outros” (1Jo 4,10-11).
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Por quê? Porque “o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor” (1Jo 4,7-8). Assim, “reconhecemos o amor que Deus nos tem e acreditamos nele. Deus é Amor! Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele!” (1Jo 4,16).
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Alcançar o Amor para permanecer no Amor! Alcançar Deus para permanecer em Deus! Já não estamos diante de um outro exercício, mas de um patamar e modo de vida, aonde só o Espírito pode nos colocar: “Quem confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus” (1Jo 4,15). Jesus é “o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), Aquele mesmo que nos “amou até o fim” (Jo 13,1).
Por isso “o amor consiste mais em obras do que em palavras” (EE 230). Se os Pais amam seus filhos pequenos, não os deixam sozinhos para irem “jantar fora”. Escreve-nos São João: “Filhinhos, não amemos só de palavra, nem só de língua, mas com atos e de verdade. Pois se alguém tiver bens neste mundo e vir seu irmão em necessidade e lhe fechar o coração, como o amor de Deus permanecerá nele? (1Jo 3,18 e 17). Afinal, “eis como reconhecemos o amor: ele entregou sua vida por nós. Assim também devemos dar a vida por nossos irmãos” (1Jo 3,16).
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Portanto, Santo Inácio tem toda razão quando nos faz notar que “o amor é comunicação (partilha!) de ambas as partes. Isto é, quem ama dá e comunica ao que ama. De modo que, se um tem ciência, honras ou riquezas, dá e comunica ao que não as tem. E assim mutuamente” (EE 231).
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Exercício: O amor consiste mais em obras do que em palavras (EE 230 e 232)
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Preparação: Escolho o bom lugar para o meu recolhimento mais profundo e acolho a presença de Deus. Rezo a costumeira oração preparatória.
Pedido de graça: Peço compreender o significado do amor verdadeiro: doar a vida em favor dos demais!
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O amor em gestos dos verdadeiros seguidores de Cristo:
Entro em oração, usando a minha imaginação. Imagino e observo tantas imagens que povoam minha mente:
• Observo o amor da mãe pra com o filho gerado, nascido, educado ora sadio ora doente, ora feliz ora sofrido. Quantas palavras proferidas, ensinando, educando, velando, acompanhando o filho! Vejo a alegria da mãe na alegria do filho; a dor da mãe na dor do filho; sucesso do filho, conquista da mãe! Quantos gestos, quantas renúncias, quantos passos! Comparo, como são meus passos de amor? Considero e rezo!
• O amor-doação. Vou recordando pessoas que amaram. Por exemplo, Maximiliano Kolbe, na entrega de sua vida, em favor de um pai de família, e posto para morrer de fome e sede pelos nazistas. O preço do gesto de amor, nesta terra, foram dez dias de fome e sede, totalmente despido na cela da morte, e, no fim, uma injeção de formol na veia. Valeu a pena? Reflito e rezo!
• O amor-doação de São Lourenço, queimado até a morte numa grelha, porque era cristão e amava os pobres, o seu tesouro.
• O amor-doação de S. Vicente de Paulo, escravo no remo das galeras até a exaustão de suas forças, e, mais tarde, já livre, aliviando a exploração escrava nos navios da França.
• Percorro ainda as inumeráveis obras sociais que a quase totalidade das paróquias, no país inteiro, realiza em favor dos seus necessitados.
• Repasso tudo do ponto de vista de que o amor verdadeiro é serviçal, é doação total segundo o ensinamento do divino Mestre. Rezo pedindo graça, pedindo perdão, examinando-me e querendo viver como cristão/ã.
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“Vim para que todos tenham vida”:
• Percorro, agora, a vida de Jesus: gestos e atitudes de total amor nas caminhadas pela Palestina; sinais e mais sinais repletos de um dinamismo interior que o impulsionava ao outro: curas, olhares, gestos.
• Olho as crianças, mulheres e homens, pecadores, doentes que o encontram pelos caminhos.
• Observo suas mãos, pés, ouvidos, olhos em total atenção às necessidades dos outros. Seu Coração o impelia: “Que todos tenham vida!” (Jo 10,10).
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Colóquio: permaneço, empenhando-me em maior intimidade, na presença do Senhor Jesus, com os olhos fitos no seus gestos, sua entrega, sua doação, suplicando a conversão profunda e a cura do meu coração. Finalizo com “Alma de Cristo”.
Na revisão, anoto a moção mais vigorosa e penso em como ela me ajuda a me tornar servidor/a no amor de Cristo.
* De “Cristo” por Maria Fátima Maldaner, SND & R. Paiva, SJ