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CRISTO “Mais conhecer, para mais amar e conhecer” Introdução 2

Introdução

– 2 –

O QUE SE ESPERA DE QUEM QUER FAZER OS EXERCÍCIOS?

Santo Inácio abre seu pequeno livro Exercícios Espirituais com “anotações para se adquirir alguma compreensão dos Exercícios Espirituais e para ajudar tanto quem os dá como quem os recebe” (EE 1). “Alguma compreensão” porque só pode compreender exercícios quem os faz, não quem os olha de longe. Contudo, Inácio espera focalizar para quem quer fazer os Exercícios o caminho, o método a seguir, para que ele comece com maior decisão o processo.

Nestas anotações ele explica o que se espera de quem quer fazer os Exercícios. Em primeiro lugar que a pessoa se queira dispor para tirar de si todas as “afeições desordenadas”.

E o que seriam “afeições desordenadas”? É tudo quanto atrapalha, confunde e machuca os nossos relacionamentos com Deus e com os outros. Tudo quanto tira a capacidade de escolher livremente o que mais convém. O exercitante se empenhará em ordenar suas afeições para ter a liberdade de “buscar e encontrar a vontade divina em todas as coisas” (EE 1).

E qual seria a vontade de Deus? De certo “fazer o bem e evitar o mal” (Sl 37,27). Além disso, o Pai do Céu tem desejos, sonhos, um “propósito de bem querer” (Ef 1,5) para cada um de nós, na altura em que estivermos de nossas vidas. Isto “é o que mais convém” aqui e agora!

Você quer fazer os Exercícios, isto é: quer fazer exercícios, exercitar-se (EE 2). Logo não fique esperando ler textos, ouvir palestras, sendo ocupado o tempo todo. Pouco adianta ver ginástica e esportes, se não os praticamos! O exercitante recebe pistas, e as seguirá para encontrar a recompensa. Ele faz como Jesus disse: “Entra no segredo do teu coração e fala a teu Pai, e o Pai que escuta o que você diz te recompensará” (Mt 6,6).

Portanto, se você quer fazer os Exercícios deve entrar neles com “ânimo e generosidade” (EE 5). Vai passar por momentos consolados e momentos duros, difíceis. O caminho da Terra Prometida passa pelo deserto! Vai ser preciso aguentar firme (EE 12). Disponha-se a partilhar com o acompanhante o que experimentou e de onde lhe veio o que sentiu. Não se trata de entrar nos segredos próprios ou matéria de confissão (EE 17).

Uma palavra de ajuda: quanto mais você tomar distância das questões do dia-a-dia no tempo em que der aos seus exercícios, tanto mais aproveitará, percebendo com crescente clareza o rumo a tomar (EE 20).

Exercício: Quero dar-me conta do que povoa o meu interior.

A minh’alma tem sede de Deus, do Deus vivo! (Sl 41,3)

fonte

Acalmo-me! Escuto os sons que me chegam. Fecho, com os polegares, os ouvidos, os outros dedos fechando os olhos. Respiro, várias vezes, profundamente. Procuro dar atenção ao som de minha respiração. E, novamente, empenho-me em escutar todos os sons: os mais distantes e os mais próximos; os mais fortes, os mais suaves… Acolhendo-os… Recolhendo-os… Vou concentrando-me aos poucos, fazendo-me presente a mim, deixando-me olhar por meu Deus…

Então, rezo! O que peço aqui e agora?

A graça de dar-me conta dos desejos que povoam o meu íntimo: “Jesus, consente que eu os exprima diante de Ti na oração que agora começo!”.

Em profunda atitude de atenção, escuto a minha própria vontade interior e abro o meu coração para perceber os meus sentimentos e desejos. Que desejos trago dentro de mim? Em relação a Deus? A mim mesmo(a)? Aos outros?

Como posso expressar, agora, no segredo do coração, o desejo do encontro com Ele, a Fonte da Vida, donde jorra toda a realização pessoal verdadeira, aquela que vem “á de dentro”?

Desejo tem a ver com o querer do coração: vou pedindo a graça de desejar perceber o que Deus quer para mim a esta altura de minha. Posso ir dizendo a Ele: “Abre, Senhor, os meus olhos… Os meus ouvidos… A minha… O meu coração… Todo o meu ser… Que eu dirija para Ti todos os meus desejos, porque és a Fonte da Vida, de toda vida verdadeira! Em meu coração, vou cantando e repetindo a canção:

“Eu te peço desta água que tu tens!
És Água Viva, meu Senhor!
Tenho sede e tenho fonte de amor,
E acredito nesta Fonte de onde vens!

Vens de Deus, estás em Deus, também és Deus,
E Deus contigo faz um só!
Eu, porém, que vim da terra e volto ao pó,
Quero viver eternamente ao lado teu!

És Água Viva, és Vida Nova,
E todo dia me batizas outra vez.
Me fazes renascer, me fazes reviver,
Quero Água desta Fonte de onde vens!”
(“Água Viva”, Pe. Zezinho).