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CRISTO “Mais conhecer, para mais amar e servir” Introdução – 3

Introdução *

– 3 –

“SENTIR E SABOREAR INTERNAMENTE” A EXPERIÊNCIA DE DEUS

Como você pode aproveitar um texto das Escrituras para exercitar-se a partir dele, ou dar um roteiro para que a pessoa que faz os EE prepare cada dia seu assunto de oração, ajudando-se a “sentir e saborear internamente” na oração e na vida?

Que tal começar pelos “preâmbulos”, os passos iniciais que permitem fazer um bom “esquentamento”, evitando “distensões” e “fraturas”.

1o. Pense num breve exercício de pacificação. Por exemplo: de pé, no “seu cantinho de oração”, por um breve tempo, olhos cerrados, ou fixos numa imagem; ou fixos na parte escura da chama de uma vela, firme a atenção no ar – hálito da vida – que vai e vem nas suas narinas. No coração, vá murmurando: “Jesus, Maria…”

2o. Preveja a sua oração preparatória [EE 46]. Por exemplo, oferecemos esta, encontrada num “santinho” e inspirada na de Santo Inácio: “Senhor Deus, orientai meus pensamentos, palavras e atos para que todo o meu ser seja expressão da vossa vontade para vossa maior glória. Amém!”

No final do seu tempo de oração, preveja um tempinho para o colóquio, uma despedida amiga, encerrada com uma oração vocal, dita com carinho e respeito, como o “Pai Nosso”.

Seria bom introduzir um novo costume quanto a sua oração diária: notar o que foi mais “tocante”, importante… Não esqueça de anotar o que você perceber, mas brevemente! Depois veremos como aproveitar estas singelas e rápidas notas!

CRUX-orante

EXERCÍCIO: Para começar a intuir os estados interiores de consolação e desolação

“Porque és precioso/a a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo!” (Is 43,4).

Acalmo-me! Dou-me tempo num lugar tranqüilo. Tomo uma posição que ajude. Dou-me conta do que se passa em mim.

Escuto os sons de fora. Os ruídos que ferem os ouvidos, os barulhos da rua e da casa. Os sons que alegram e fazem bem.

Ouço os sons de dentro: o ar que inspiro e expiro; o pulsar do coração; o próprio silêncio. Deixo o silêncio falar-me.

Estou diante de Deus. Nada tenho de fazer ou produzir. Posso, simplesmente, estar na presença dele!

Então, o que pedirei aqui?

“Peço-te, Deus da Vida, a graça de aceitar o teu amor gratuito por mim; a graça de sentir-me acolhido/a no oceano do teu amor por mim e pela humanidade.”

Quando estou em bom “estado de ânimo”, é fácil sentir-me amado/a por Deus. Neste “clima” posso recordar:

Situações nas quais percebi o meu valor e senti-me amado/a. Então, louvar e agradecer ajuda!

Quando não estou em boa disposição de ânimo, quando me sinto desolado/a, abandonado/a, desvalorizado/a, consigo ainda acreditar no amor e rezar na fé?

Posso, num terceiro momento, ir repetindo esta declaração de amor de Deus por mim: “Porque és precioso/a a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo!” (Is 43,4). Vou com calma, atento/a às repercussões e ressonâncias em mim…

Será muito bom levá-lo comigo decorado, repetindo ao longo do dia, dando um ritmo novo às minhas ações e passando bondade a minhas atitudes.

À noite, vou perguntar-me como vivi “sentir-me amado/a”, isto é, como percebi o meu valor, minha dignidade de criatura humana, como caí em conta da providência do Pai Santo nas horas do dia.

* CRISTO 1, Edições Loyola 2010