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Davi, Rei em Hebron

A estrela de Davi na bandeira de Israel. Ao fundo o Muro das Lamentações

Davi Rei (2Sm 1-5)

Podemos ler os dois Livros de Samuel sem cair na conta de que nele refluem duas correntes: a monárquica e a anti-monárquica. Samuel, juiz, cedeu aos desejos do povo de ter um monarca, um rei, como todos os outros povos. Assim, de modo claro, a “opinião pública” põe sua confiança numa instituição incapaz de salvar. Por outro lado, o Senhor continua sendo quem, de fato, salva o povo. Saul tentou travar o crescimento de Davi, o jovem herói, de cuja crescente popularidade tinha ciúmes. No entanto, a derrota nos montes Gelboé abriu caminho para Davi.

Os relatos sempre insistem na generosidade de Davi (ver 1Sm 24 e 26). Registram também sua habilidade política: assim, nos últimos dias de Saul, enviou presentes aos líderes da tribo de Judá, resultados de uma campanha contra os amalecitas, que tinham aprisionado suas duas esposas (ver 1Sm 28,26-31). Sabedor da morte de Saul, ele não hesitou em executar o homem que se dizia responsável por este feito: “Como não receaste em levantar a mão para matar o Ungido de Deus?” (ver 2Sm 1,14-16). Publicamente, entoou um cântico de lamentação sobre Saul, Jônatas e os que tinham perdido a vida na derrota nos montes Gelboé (ver 2Sm 1,17-27). A tribo de Judá o proclamou rei em Hebron, enquanto o comandante Abner fez rei das tribos do norte um filho de Saul, Isbaal. Seguiu-se guerra civil, “que se prolongou por muito tempo” (2Sm3,1). Um incidente doméstico ocasionou a ruptura de Abner com Isbaal. Abner providenciou a adesão das tribos do norte à realeza de Davi, com a promessa de um chefe apto para vencer os filisteus. Mas o principal chefe de guerra de Davi, Joab, enciumado, organizou uma armadilha e o matou. Davi, talvez de bom coração, mas, certamente, bom diplomata, chorou a morte de Abner, como puniu os assassinos do filho de Jônatas, deficiente físico, Meribaal, mas não castigou Joab (ver 2Sm 3-4).

Assim, afinal, Davi foi procurado pelas lideranças das tribos do norte em sua residência, em Hebron, e se tornou rei de todas as tribos, do norte e do sul. E até hoje sua estrela brilha entre os descendentes do Povo Eleito, que usam a “estrela de Davi” na bandeira do novo Estado de Israel.