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Deus Amor é Fidelidade

“31 Dias no Amor de Deus” – continuação

9º DIA

Amor que não desiste

Ontem, estávamos ouvindo o Profeta nos transmitir a Declaração de Amor de Deus. Ezequiel resumiu a história das relações de nosso Deus Fiel com Jerusalém infiel como a estória de uma menininha adotada por um beduíno que a viu recém nascida, abandonada, jogada para morrer requeimada pelo sol na margem de uma trilha. Cuidada, crescida, embelezada, ela se torna cheia de si, seduzida por sua própria beleza, e se entrega a amantes.

A prosperidade pode tornar pessoas e povos embriagados consigo mesmos, acreditando que devem tudo a si, esquecidos do amor criador e salvador de Deus. No Livro do Deuteronômio, antigas advertências do grande Moisés são recuperadas para que prestemos muita atenção em sermos gratos e humildes nos tempos de abundância:

“Se obedeceres, porém, exatamente à voz do Senhor, teu Deus, observando e praticando todos estes mandamentos que, hoje, eu te ordeno, o Senhor, teu Deus, te tornará superior a todas as nações da terra e todas as bênçãos virão sobre ti e te cobrirão, se obedeceres à voz do Senhor teu Deus. Bendito serás tu (meu Povo) na cidade e bendito serás tu nos campos! Bendito será o fruto do teu ventre, o fruto do teu solo, o fruto da tua criação, as crias do teu gado, o rebanho de tuas ovelhas. Bendito serás ao entrares, bendito serás ao saíres” (Dt 28,1-5).

Contudo:

“Se não escutares a voz do Senhor, teu Deus, para observar e praticar todos os seus mandamentos e todas as suas leis, que, hoje, te ordeno, eis todas as maldições que cairão sobre ti e te ferirão: serás maldito na cidade e serás maldito nos campos. Maldito o teu cesto e a massa do teu pão. Maldito o fruto do teu ventre, o fruto do teu solo, as crias do teu gado e o rebanho de tuas ovelhas. Maldito serás ao entrares e ao saíres” (Dt 28,15-19).

Se sair do sol e me colocar lá, onde ele nunca chega, perco os bons efeitos do seu calor e de sua luz. Se deixar Deus, meu Sol verdadeiro, mergulharei na escuridão e me tornarei vítima de muitas doenças. Preciso de sol, preciso de Deus. Se construir minha casa sobre areias, mais cedo ou mais tarde ela irá abaixo. Se a construir sobre o chão firme, ela há de durar (ver Mt 7,26). Se construirmos nossa sociedade sobre nossa pobre e orgulhosa sabedoria, ela vai mostrar suas fraquezas e seu esplendor se apagará. Se construirmos sobre a Rocha que é Deus, sua Palavra, seu Amor e Sabedoria, ela há de durar.

Em Israel sempre permaneceu um núcleo fiel na alegria e na tristeza, nos dias prósperos e nos dias sombrios, e este núcleo tem permanecido até hoje, enquanto vai vendo desabar nações poderosas. Na Igreja, o núcleo fiel, as pessoas de vida santa, vão passando a Fé de geração em geração, vivendo a Promessa de Jesus, nosso Senhor. Outras instituições e construções da vaidade humana, do cálculo político e da cobiça de riquezas se arruinaram e desapareceram, mesmo no interior visível da Igreja.

Mas o Amor de Deus, ou Deus Amor, é fidelidade. Voltemos ao Profeta Ezequiel. O Oráculo do Senhor continua com declarações que expressam a miséria dos povos que preferem a aparência de prosperidade dos “donos do mundo” ao seguimento humilde da Palavra de Deus. Contudo, Ele não nos abandona em nossas desgraças. Sua graça continua agindo e vindo a nosso encontro, quando ficamos pobres, nus, esvaziados de nosso orgulho e autossuficiência:

“Eu mesmo firmarei a minha aliança contigo. Então, reconhecerás que sou Javé, para que te recordes e te envergonhes e nunca mais, de vergonha, abras a boca, quando eu te perdoar pelo que fizeste – oráculo do Senhor” (Ez 16,62-63).

Esta convicção profunda que o Amor de Deus, seu Espírito Santo, comunica aos corações e mentes, se expressa num Salmo, onde as infidelidades do Povo, suas desgraças, e a bondade continuada do Senhor são cantadas até nossos dias. O Salmista nada inventa, mas recorda, com amor confiante, a história do Povo santo e pecador:

“Louvai ao Senhor, porque Ele é bondoso,
Porque seu amor é para sempre!
Os que o Senhor redimiu que o proclamem,
Os que Ele resgatou do poder do adversário,
Os que Ele congregou de diversos países,
Do Norte e do Sul, do Oriente e do Ocidente.

Eles erravam pelas estepes e pelo deserto,
Sem achar caminho de um lugar habitável.
Eles tinham fome e sobretudo sede,
E suas forças vitais desfaleciam.

Em sua aflição ao Senhor clamaram
E Ele os libertou de suas angústias.

Ele os fez andar por retos caminhos,
E os encaminhou a um lugar habitável.

Que eles louvem ao Senhor, que tanto os ama!
Pelos filhos de Adão Ele fez maravilhas!

Pois Ele saciou os que tinham sede,
E de bens cumulou os que tinham fome.

Eles moravam nas travas sóbrias da morte,
Prisioneiros da miséria e das cadeias de ferro,
Por terem de Deus rejeitado as Palavras,
Por terem desprezado o Plano do Altíssimo.

O Senhor os humilhava no sofrimento,
Eles caíam, mas não havia quem os socorresse!

Em sua aflição ao Senhor clamaram
E Ele os libertou de suas angústias.

Ele os retirou das trevas sombrias,
E quebrou os grilhões que os acorrentavam.

Que eles louvem ao Senhor, que tanto os ama!
Pelos filhos de Adão Ele fez maravilhas!”
(Sl 106/107,1-22)

 

Estes são os primeiros 22 versículos dos 43 deste poema. Ele continua no mesmo ritmo: o povo é libertado, melhora de vida, sai da miséria, volta a pecar, volta a se arruinar, e Deus sempre faz maravilhas para livrá-lo da penúria e humilhação. Para muitos de nós, “os grandes da terra” têm razão, e suas políticas é que geram a riqueza dos povos. Deixamos de lado nossa Fé, e vemos falhar e vir abaixo aquilo em quem púnhamos nossas melhores expectativas. Então, Deus Amor nos acode:

“Tinham ficado pouco numerosos e deprimidos
Pela opressão, desgraça e angústia.
Mas Deus derramou desprezo sobre os grandes da terra
E os fez, perdidos, errar por ínvios caminhos.
Ele elevou o indigente de sua miséria
E fez crescer as famílias como os rebanhos.

Os retos vêem claro e se alegram
E emudece toda a maldade.
Se alguém é sábio, guarde bem isto,
E compreenda que o Senhor nos ama”.
(Sl 106/107,39-43).

Podemos ficar frios diante de palavras ouvidas ou lidas, mesmo que tenham origem no sopro do Espírito de Deus. Mas podemos também levar nossa frieza diante de sua bondade imensa, o nosso imenso bem. Podemos suplicar que seu Vento sopre e derreta nossos gelos. Então, em uma primavera de Fé, cantaremos, cheios de Esperança, compreendendo que o Senhor nos ama:

“Confiemo-nos ao Senhor! Ele é justo e tão bondoso!
Confiemo-nos ao Senhor! Aleluia!”