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Deuteronômio (2): A herança de Moisés sempre atualizada

O Deuteronômio não foi escrito por Moisés, mas para reavivar sua rica tradição. Assim, os leitores mais atentos percebem que seu texto está sempre em contato com o Código da Aliança (ver Ex 20,22-23,33). Possivelmente os peritos se aproximam da verdade, quando enxergam no texto um trabalho de várias mãos através do tempo, mãos leais à revelação feita a Moisés. Talvez somente quatro séculos antes de Cristo, o livro tenha tomado a forma atual *. O leitor comum percebe que está diante não de um texto que rompeu com a origem, com Moisés, mas que coloca o homem de Deus e sua missão no centro de todos os olhares e ouvidos de Israel.

Quatro “títulos” dividem o livro em quatro partes. Na primeira (Dt 1,6-4,40), recorda-se a caminhada de Israel deste o Sinai (“Horeb”) até às planícies de Moab, defronte da Terra Prometida. O olhar é dirigido não ao futuro, à vida nas cidades, que deve continuar fundada na leal observância do “ensinamento” (“Torá”), promulgado no Monte Sinai.

A segunda parte (Dt 4,44-28,68), a mais longa, mostra Moisés como que situado na época do exílio na Babilônia, muitos séculos depois de sua morte, reafirmando e atualizando o Código da Aliança, o coração mesmo da revelação de Deus, o núcleo da Lei (ver Ex 20,22-23-33). Isto é: o Código do Deuteronômio não é uma traição, mas uma renovação da Torá!

A terceira parte (Dt 29,69-32,52) insiste no valor da Aliança e da fidelidade do povo ao “Deus dos Pais” (Abraão, Isaac e Jacó). Também trata da sucessão de Moisés. O futuro estará na lealdade ao Senhor. A quarta parte (Dt 33-34) traz a “bênção de Moisés”, abrindo caminho para o futuro, e o relato de sua morte: “Não mais surgiu em Israel um profeta como Moisés” (Dt 34,10)

* segundo Federico Giuntoli, “La Bibbia – Via, Verità e Vita”, Nuove Edizione, Paoline & San Paolo, 2012, p. 360.