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Deuteronômio: “Eu vos falei assim” (Dt 1,9)

Moisés falou, então, ao Povo de Deus, não só àquele punhado de nômades diante da tarefa imensa de conquistar o retalho de pequenos estados, com suas vinhas, trigais, pomares e pastos apetitosos, mas com suas cidadelas com fortes muralhas. Ele recordou como, sozinho, não poderia cumprir o serviço que Deus lhe dera: “Eu, sozinho, não poderei levar-vos. O Senhor nosso Deus, vos multiplicou, e ei-vos, hoje, tão numerosos como as estrelas do céu. O Senhor, Deus de vossos pais, vos multiplique ainda mil vezes mais e abençoe como vos disse”. Esta á a voz de um profeta! E que profeta! Como escrevem dele os autores do Livro do Deuteronômio, tal como temos hoje: “Não mais surgiu em Israel profeta igual a Moisés, ele que o Senhor conhecia face a face, seja pelos sinais e prodígios que o Senhor o mandou fazer contra Faraó (…) seja pelo grande terror que Moisés operou à vista de todo Israel” (ver Dt 34,10-12). Sendo uma palavra profética, ficaríamos muito limitados e enganados se imaginássemos que aquele bando nômade era tal multidão comparável em número às estrelas do céu. Esta palavra tem de ser lida como reafirmação da promessa feita a Abraão e verificada no Apocalipse (ver Gn 15,5; 22,17; Hb 11,12; Ap 7,9).

Moisés não se apresenta como líder absoluto. Ele nos ensina a viver em comunhão com seu exemplo: ele precisou da ajuda de muita gente “sábia, esclarecida e experimentada” (Dt 1,13). Acima das lideranças estava, tudo guiando com providência bondosa, a Vontade de Deus. Ficava dito aos juízes de Israel e a todos os juízes deste mundo: “Nesse tempo, eu dei este mandamento a vossos juízes: escutai as divergências entre vossos irmãos e julgai com justiça, quando alguém contestar com o seus irmão, ou com o estrangeiro, seu hóspede. Não sereis parciais nos vossos julgamentos. Escutareis tanto os pequenos como os grandes” (ver Dt 1,16-17).