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Diante do terrorismo o Papa ensina a nos defender dos ataques do Demônio

“Responder aos assaltos do Demônio não com ódio e violência, mas com perdão, amor e respeito ao próximo” – diz o Papa

 

O Papa Francisco recebeu os familiares das vítimas do terrorismo em Nice, quando um homem dirigiu um caminhão sobre a multidão que se recreava na orla da cidade.

 

24/09/2016

DOMENICO AGASSO JR

CITTÀ DEL VATICANO

 

Mesmo tendo sido tantos na audiência, todos mereceram algum carinho do Papa. Quando Francisco passa para saudá-los, e os olha,consolando e encorajando, sempre se veem sorrisos. Não quando toca na foto de uma das vítimas, segura angustiosamente nas mãos de algum familiar, mas quando seu olhar fixa, por alguns instantes, os presentes. Ele falou: “Com viva comoção encontro vocês, que sofreis no corpo e no ânimo, porque, numa noite de festa, a violência golpeou cegamente a vocês e ou a alguém querido, sem olhar a origem nem a religião (86 mortos e 302 feridos no dia 14 de julho na “Promenade des Anglais” – Passeio dos Ingleses). Eu lhes peço que não respondam ao ódio com ódio, mas com o diálogo”.

Cerca de mil pessoas o escutavam. Entre elas o Prefeito de Roma, Christian Estrosi e o Bispo de Nice, Dom André Marceau. Estavam presentes também representantes israelitas e muçulmanos.

“Desejo partilhar da for de vocês, dor que se faz mais forte, quando penso nas crianças, às vezes famílias inteiras, cuja vida foi tirada repentina e dramaticamente. A cada qual de vocês eu garanto minha compaixão, minha vizinhança e minha prece. Suplico ao Deus de misericórdia por todos os feridos, e até cruelmente mutilados, na carne e no espírito, e não esqueço os que não puderam vir ou ainda permanecem hospitalizados. A Igreja está próxima de vocês. Com sua presença junto a vocês, nestes momentos tão penosos, ela pede ao Senhor de vir em socorro de vocês e lhes dar sentimentos de paz e fraternidade. Este drama que golpeou a cidade de Nice suscitou em toda parte significativos gestos de solidariedade e acompanhamento. Agradeço a todos que imediatamente socorreram as vítimas, e que até hoje e ainda para o futuro, se dedicam a apoiar as famílias atingidas. Penso, naturalmente, na Comunidade Católica e no seu Bispo, Dom André Marceau, mas também nas pessoas dos serviços de assistência, em particular a Alpes Marítimos Fraternidade, aqui presente, com representantes de todas as confissões religiosas. Este é um belo sinal de esperança. O Papa se alegra de ver que entre vocês, o relacionamento inter-religioso é muito vivo, porque ele pode contribuir a aliviar as feridas causadas por este trágico acontecimento”, disse o Santo Padre.

 

E continuou: “Estabelecer um diálogo sincero e relações fraternas entre todos, em particular entre os que creem no Deus Único e Misericordioso, é uma prioridade urgente que os responsáveis, políticos ou religiosos, devem procurar favorecer e que cada qual é chamado a atuar em torno de si. Quanto à tentação de fechar-se em si mesmo, ou de responder ódio com ódio, violência com violência, é necessária uma autêntica conversão dos corações. Esta é a mensagem do Evangelho de Cristo. Pode-se responder aos ataques do Demônio somente com as obras de Deus, que são perdão, amor, respeito ao próximo, ainda que seja diferente”, afirmou o Papa.

Ele recebeu dos familiares das vítimas de Nice uma cesta com 86 flores, simbolizando os 86 mortos: “São 86, como nossos mortos, de todas as cores, como nós somos, e que melhor do que muitas palavras dizem a todos os crentes, de tanta diversidade, nossa gratidão, nosso reconhecimento e nosso comum afeto” (Estrosi).