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Do barro o Oleiro faz tijolo e porcelana! Tudo é bom!

“31 Dias no Amor de Deus” – continuação

3º DIA

 Deus criou o que é sem valor e até desprezível a nossos olhos (ver 1Cor 1,28)

O Profeta nos chama a atenção para a loucura que seria uma vasilha de barro reclamar do oleiro, porque ele não a fez uma elegante cerâmica (ver Is 29,16):

“Que perversidade é a vossa! O oleiro é como a argila? Uma obra pode dizer ao obreiro: ‘Não sou tua obra! ’? Dirá um pote a seu ceramista: ‘És um estúpido! ’?”.

Nosso Profeta Isaías deve ter parado, muitas vezes, contemplando o ágil trabalho dos oleiros e ceramistas do seu tempo. Num oráculo (“Palavra do Senhor”), ele repreende nossa pretensão a nos desfazermos do próprio Deus, para agirmos segundo o que achamos melhor, sem ligar para os mandamentos. Estas más decisões dos ovos e de seus governantes levam a calamidades públicas. No caso concreto de Israel do tempo do Profeta, às vitórias de Ciro, rei dos persas:

“Suscitei-o (a Ciro) do norte para vir. Do levante (oriente) chamei pelo nome. Ele pisa os sátrapas (governantes das províncias) como argila, como um oleiro pisa o barro” (Is 41,25).

O Criador nos fez do barro, deu-nos o Sopro de Vida, a capacidade de cultivar o jardim e dar nome a todos os seres (ver Gn). Somos capazes de trabalho e conhecimento, ciência e tecnologia! Mas tenhamos atenção: a Sabedoria eterna não se esgotou em tudo criar! A Onipotência não se acabou nos fazendo seus livres cooperadores neste mundo! Ele continua sendo o Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor! Diante dele nada são os poderosos da história:

“Minha mão seria curta para redimir? Não teria eu força para salvar” – diz o Senhor (Is 50,2).

A ovelha que se perdeu e terminou no barranco, emaranhada no espinheiro experimentou esta mão poderosa e libertadora! O Bom Pastor a tirou desta situação lamentável e a trouxe, nos ombros, de volta ao rebanho (ver Lc 15,5). O peso dos erros dela recaiu sobre seus ombros redentores (ver Mt 8,17; 1Pe 2,24; 1Jo 3,5: Jesus levou sobre seus ombros o peso de nossas culpas)!

Novamente Isaías nos fala do oleiro e da matéria com que somos feitos, o barro, a argila. Desta vez, sabendo que o barro esturrica, quebra, vira caco, mesmo se antes tenha sido colorida cerâmica ou refinada porcelana, ele nos ensina a rezar a nosso Criador e Pai:

“Tu te irritaste e nós tínhamos pecado. Por muito tempo nos rebelamos contra Ti. Éramos todos como coisa impura e todas as nossas obras de justiça eram como sujeira (diante de Ti). Todos nós murchávamos como folhas e nossos crimes nos levavam como o vento. Ninguém evocava teu Nome nem se erguia para apoiar-se em Ti (…). No entanto, Senhor, és nosso Pai! Somos argila e Tu és nosso oleiro! Somos todos obras de Tuas mãos! Não Te irrites em excesso! Não Te lembres sempre do Teu crime! Olha-nos por Tua bondade! Somos o Teu Povo!” (Is 64,4-8).

Somos modelados por Suas mãos amáveis, habilidosos. Na infinita liberdade do Seu Amor, na Força incontida do Seu Espírito (ver Sb 7,22-23), Ele, o Rei da Glória, criou seres a que não damos valor e até julgamos desprezíveis. Por exemplo: baratas, pulgas, plantinhas que duram poucas horas, flores nos velhos muros, de quem só grandes botânicos conhecem o nome. Por exemplo: nós mesmos, capazes de tanto mal e, graças a Deus, de conversão e nova vida! Assim:

“Os judeus exigem milagres e os gregos sabedoria. Nós, pelo contrário, anunciamos um Cristo Crucificado, que é um escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Cristo, no entanto, é o poder de Deus e a sabedoria de Deus para os escolhidos, quer judeus, quer gregos. Pois é a loucura de Deus é mais sábia que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens (…). Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios. E Deus escolheu o que é fraco para confundir os fortes. Deus também escolheu o que é baixo e desprezível, conforme o mundo, e escolheu o que não vale para destruir aquilo que é. Assim, ninguém se orgulhará diante de Deus, pois é por graça dele que estais em Cristo Jesus, o qual, por Deus, se tornou para nós a sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1Cor 1,22-30).

Nosso amado Criador deu chance ao barro de ser gente e deu a toda gente a chance de ser santa. E, sendo nosso amado Redentor, mudou a cruz, lugar de suplício e horror, em Trono de Glória, de onde pronunciou as sete palavras definitivas de amor. Cantemos como crianças:

“O meu coração é só de Jesus, a minha alegria é a Santa Cruz!

Nada mais desejo, não quero senão, que viva Jesus no meu coração!”

 

O Salmista compreendeu que Deus é mais do que todos os que se imaginam donos do mundo e das pessoas. Ele acreditou, no meio dos problemas de seus dias cheios de dificuldades e lutas, na contínua presença e atuação do Senhor. Como nós, cristãos, sabemos, até na Cruz, Ele está, com Seu Coração transbordante de ternura e bem querer! Por isso o Salmista, inspirado pelo Espírito de Deus, cantou um hino de vitória:

“Por que as nações se amotinam

E os povos tramam em vão?

Os reis da terra se unem,

Conspiram juntos os príncipes

Contra o Senhor e o seu Cristo:

‘Quebremos suas algemas,

Arremessemos o seu jugo!’

Ri-se o que mora no céu,

O Senhor brinca com eles.

Porém, um dia, os interpela,

Aterra-os com seu furor:

‘Sagrei Eu próprio o meu Rei,

Em Sião, o meu Monte Santo!’

Eis do Senhor o decreto:

Ele me disse: ‘És meu Filho,

Foi hoje que Te gerei!

Pede-me e dou-Te as nações,

A terra toda por Reino.

Rege-as com cetro de ferro,

Quebra-as qual vaso de barro!’

Prudência, agora, juízes,

Ó Reis da terra, aprendei!

Servi a Deus com temor,

Os pés beijai-os tremendo.

Perecereis, se Ele se irar!

Seu fogo logo se inflama!

Feliz quem nele confia” (Sl 2).

Cantemos com toda a gente:

“EU CONFIO EM NOSSO SENHOR” *

Jorge Pinheiro

 

“EU CONFIO EM NOSSO SENHOR, COM FÉ, ESPERANÇA E AMOR

  1. A meu Deus fiel sempre serei, / eu confio em nosso Senhor. / Seus preceitos, oh! Sim cumprirei, / com fé, esperança e amor.
  2. Venha embora qualquer tenha tentação, / eu confio em nosso Senhor. / Mostrarei que sou sempre cristão, / com fé, esperança e amor.
  3. Com as armas da fé lutarei, / eu confio em nosso Senhor./ Nessa luta, por Deus, vencerei / com fé, esperança e amor.
  4. Em perigo, aflição ou em dor, / eu confio em nosso Senhor. / Chamarei a meu Deus com fervor, / com fé, esperança e amor”.

 

  1. Pe.R. Paiva, SJ & Teresa Cristina Potrick, ISJ (orgs.), “Cantar e celebrar”, Loyola / SP 2007, p. 51.