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Dom Odilo fala da guerra síria

Síria: guerra e paz – Mensagem de Dom Odilo, Arcebispo de São Paulo

Mortos neste final de agosto

O conflito na Síria está cada vez pior. Mais de um ano de guerra civil já produziu um
grande número de vítimas entre civis, de destruição e de feridas na complexa comunidade
siriana. Enormes recursos econômicos e energias humanas ali gastos poderiam ter sido bem
melhor aplicadas em projetos de paz e de bem-estar social…
Muitas análises sobre o conflito já foram feitas e não é minha intenção fazer mais uma.
Certamente não se pode desconhecer que há um conjunto de fatores locais e estratégicos em
jogo na guerra civil da Síria; há também facções buscam afirmar-se pela força sobre o resto
da sociedade; há populações que desejam ver seus legítimos direitos respeitados. A
sistemática violação da dignidade humana acaba se tornando insuportável. Uma guerra
nunca é consequência da paz, mas de conflitos latentes ou abertos, que já existiam antes.
O que preocupa agora ainda mais é a perspectiva muito concreta do alastramento do
conflito, em vez da busca da sua cessação. Fala-se de intervenção externa na Síria, para não
deixar sem uma desaprovação contundente da Comunidade internacional o uso de armas
químicas contra a população, pelo governo sírio, se assim ficar comprovado. De fato o uso
de tais armas é vetado pelas convenções da Organização das Nações Unidas (ONU).
A questão é saber se mais violência resolve o problema da violência? Uma guerra pode ser
solucionada com outra guerra? O papa Francisco lançou um dramático apelo pela paz na
Síria na sua mensagem da hora do Angelus do domingo, dia 1º de setembro: “vivo com
particular sofrimento e com preocupação as várias situações de conflito que existem na
nossa terra; mas nesses dias, meu coração ficou profundamente ferido por aquilo que está
acontecendo na Síria e fica ainda mais angustiado pelos desdobramentos dramáticos que se
prenunciam”.
Qual poderia ser o caminho para evitar ainda mais sofrimento, destruição, morte e feridas
abertas por muito tempo? O Papa lamenta o uso das armas e condena com firmeza o uso de
armas químicas; adverte que existe um julgamento de Deus e também da história sobre
quem toma tais iniciativas.
Se o uso da violência não conduz à paz, se a guerra traz mais guerra e a violência chama
ainda mais violência, não existe outro caminho do que o da negociação, do diálogo e da
busca de um entendimento razoável, onde todos perdem menos e pode ser encontrada uma
solução de paz. O Papa convida as partes envolvidas que escutem a voz da consciência e
não se fechem nos próprios interesses; que tenham a coragem de superar o conflito cego,
desarmar os espíritos e de olhar um para o outro como irmãos.
O apelo também vale para a Comunidade Internacional, que está se envolvendo naquele
conflito: não se poupem esforços para promover, sem demora, iniciativas claras pela paz na
Síria, em vista do bem da população daquele país. As numerosas vítimas ido conflito e os
refugiados em países vizinhos precisam da solidariedade concreta e de ajuda humanitária.
A guerra civil na Síria, como tantas outras guerras esquecidas, em várias partes do mundo,
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requerem um novo sistema de relações de convivência entre os povos, baseado no respeito
profundo à dignidade humana, na justiça e no amor.
O papa Francisco também lembra “aos homens e mulheres de boa vontade”, aos adeptos
das religiões, especialmente aos membros da Igreja Católica, que a paz é um compromisso
de todos. E dirige seu convite a todos, para serem promotores da cultura do encontro e do
diálogo: é o único caminho para a paz. Por fim, convocou toda a Igreja e convidou as
pessoas não-católicas a fazerem no dia 7 de setembro, um dia de oração e de jejum pela
Síria.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 03.09.2013
Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo