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Entrevista do Papa à revista “Paris Match”

16/10/2015 Vatican Insider, La Stampa, Itália
“Não nos resignemos ao êxodo dos cristãos do Oriente Médio”

(©Ansa)

“Paris – Match” publicou uma ampla entrevista como Papa Francisco: “Devemos proteger o ser humano da auto-destruição (…) A Santa Sé procura sem descanso os caminhos pacíficos da negociação (…) A China está sempre no meu coração (…) Certamente gostaria de poder andar pelas ruas de Roma, pois sempre fui um padre das ruas. O que mais me falta é o contato com as pessoas. Quando abraço as pessoas que encontro, sei que é Jesus que me abraça”

ANDREA TORNIELLI
CITTÀ DEL VATICANO

As guerras e o êxodo dos cristãos do Oriente Médio, as mudanças climáticas e o modelo de desenvolvimento, mas também a China, “que está sempre no meu coração” é uma resposta e uma resposta à pergunta sobre os extra-terrestres, é o que se encontra na entrevista com o Papa Francisco publicada no Paris – Match, assinada por Caroline Pigozzi

Os refugiados e migrantes

Falando do drama dos refugiados e migrantes, o Papa Bergoglio disse: “Tudo isto que está se passando sob os olhos de todos nós é uma tragédia humanitária, que nos interpela. Para nós, cristãos, permanecem imprescindíveis as palavras de Jesus, que nos apelam a vê-l’O nos pobres e estrangeiros necessitados de socorro: Ele disse quetodo gesto de solidariedade para eles é um gesto para com Ele (…) Mas não podemos nos resignar ao fato de que estas comunidades – hoje, minoritárias nas regiões do Oriente Médio – tenham de deixar suas casas, terras, ocupações. Os cristãos são cidadãos de direito pleno desses países. São seguidores de Jesus desde dois mil anos, completamente inseridos nos contextos culturais, na história de seus povos. Temos o dever humano e cristão de enfrentar esta emergência. Não podemos, porém, esquecer as causas que a provocaram, fingir que não existam. Perguntemo-nos porque tanta gente foge, quais sejam as causas de tantas guerras e de tanta violência. Não esqueçamos quem fomenta o ódio e a violência, quem lucra com as guerras, os traficantes de armamentos. Nem sequer esqueçamos os poderosos que falam de paz, mas, por sob o pano, vendem armas”.

O ser humano no centro, não o dinheiro

Para “procurar resolver este drama” – explicou o Papa – “olhar para frente, agindo a fim de favorecer a paz, trabalhando, concretamente para solucionar as causas estruturais da pobreza, empenhando-nos em construir modelos de desenvolvimento econômico, que tenham o ser humano por centro, e não o dinheiro. Trabalhar para que q dignidade de todo homem, de toda mulher, de toda criança, de todo idoso seja sempre respeitada.

Mudanças climáticas

O Papa Francisco, respondendo a uma pergunta sobre as mudanças climáticas, disse: “O cristão é realista, não catastrofista. Por isso mesmo, no entanto, não pode negar uma evidência: o atual sistema mundial não se pode sustentar. Tenho esperança, na verdade, que o encontro possa contribuir para decisões corretas, tomadas em conjunto e olhando para o futuro, para o bem comum e que sirvam a novas modalidades de desenvolvimento, para que tantas mulheres e homens, crianças também, que, hoje, sofrem de fome, são explorados, suportam guerras e falta de trabalho. Nossa casa comum está poluída, está se deteriorando. É preciso o empenho de todos. Devemos proteger o ser humano da autodestruição”. Para tanto – acrescentou o Papa – “a humanidade deve renunciar à idolatria do dinheiro e recolocar no centro a pessoa humana, sua dignidade, o bem comum, o futuro das gerações, que povoarão a terra depois de nós. Caso contrário, nossos descendentes serão forçados a viver no lixo e na sordidez. Devemos cuidar dos que não têm o necessário para viver e começar a atuar reformas estruturais, que tornem o mundo mais justo. Renunciemos ao egoísmo e cobiça para vivermos todos um pouco melhor”.

Capitalismo

Francisco acrescentou que “o capitalismo e o lucro não são diabólicos se não forem transformados em ídolos. Não o são se permanecem instrumentos. Mas se, pelo contrário, domina a ambição descontrolada pelo dinheiro, e o bem comum e a dignidade humana passam a um lugar secundário, se o dinheiro e o lucro a todo custo se tornam um fetiche a ser adorado, se a cobiça for a base de nosso sistema econômico, nossas sociedades estão destinadas à ruína. Os seres humanos e toda a criação não devem estar a serviço do dinheiro. As consequências do que está acontecendo se manifestam aos olhos de todos”.

ETs?

Foi dirigida ao Papa Bergoglio uma pergunta sobre a existência no universo de seres extraterrestres inteligentes. Ele respondeu; “Na verdade, não sei como responder. Até agora, os conhecimentos científicos têm excluído que haja traços de vida pensante no universo. Contudo, é verdade, que, até a descoberta da América, pensávamos que ela não existia, mas existia. No entanto, acredito que devamos nos ater ao que dizem os cientistas, mas conscientes que o Criador é infinitamente maior do que nossas mentes. O que é certo é que nós e o mundo, que habitamos, não somos fruto do acaso ou do caos, mas da inteligência divina, do amor de um Deus que nos quer bem, que nos criou, que nos quis e que não nos deixa nunca sozinhos. O que sei de certo é que Jesus, o Filho de Deus, se encarnou, morreu na Cruz para nos salvar do pecado, e ressuscitou, vencendo a morte”.

Mediações da Santa Sé nos conflitos

Em seguida, o Papa foi indagado sobre a contribuição da Santa Sé na solução das crises internacionais: “Procuramos, sem descanso, favorecer, pelo diálogo, a solução dos conflitos e a construção da paz. Procuramos caminhos pacíficos e de negociação, para resolver cries e conflitos. A Santa Sé, na cena internacional, não tem interesse a defender, mas age por todos os canais para favorecer ao encontro, ao diálogo, aos processos de paz, ao respeito aos direitos humanos. Com a minha presença, em países como a Albânia, a Bósnia e a Herzegovina, procurei encorajar exemplos de convivência e colaboração entre homens e mulheres de diversas confissões religiosas, para a superação das chagas abertas pelos recentes e trágicos conflitos. Não faço projetos nem me ocupo de estratégias de política internacional. Estou consciente de que a voz da Igreja, em tantas situações é uma voz de quem clama no deserto. Creio, porém, que a fidelidade ao Evangelho nos pede para sermos construtores de pontes, e não de muros. Não é o caso de exagerar o papel do Papa e da Santa Sé. Mesmo o que se passou entre Estados Unidos e Cuba é um exemplo disto: apenas procuramos favorecer a vontade de diálogo, já presente nos responsáveis dos dois países. E, sobretudo, rezamos”.

Missas para milhões e aplausos

Foi-lhe perguntado como fazia para conservar a simplicidade, depois de haver celebrado Missa diante de sete milhões de fiéis e centenas de milhões de telespectadores. O Papa respondeu: “Quando um sacerdote celebra a Missa o faz, de certo, diante dos fieis, mas, sobretudo, diante do Senhor. Portanto, quanto maior a multidão, mais necessário estarmos sempre conscientes da nossa pequenez, de sermos “servos inúteis”, como nos pede Jesus. Cada dia peço a graça de ser sinal que aponte para a presença de Jesus, testemunha de seu abraço de misericórdia. Por isto, algumas vezes, quando ouço gritarem ‘Viva o Papa!’, convido a bradarem ‘Viva Jesus!’. Quando era Cardeal, Albino Luciano [depois Papa João Paulo I], quando aplaudindo, recordava: ‘Acreditem que o burrinho montado por Jesus, quando o Senhor entrava em Jerusalém, pudesse pensar que aquela acolhida se dirigisse a ele?’ Assim, o Papa, os Bispos e Sacerdotes têm fé na própria missão, sabendo ser como aquele burrinho, e ajudam a ver o verdadeiro protagonista, sempre conscientes que se hoje ouvem ‘hosanas’, amanhã poderão escutar ‘Crucifiquem-no!’”.

Andar como simples padre e os encontros do Papa

Depois de ter dito que “a China está no meu coração [então bateu no peito]. Aqui, sempre!”, o Papa Francisco se gostaria de poder passear, ou ir comer uma pizza vestido como um padre comum: “Não abandonei o ‘clergyman’ negro sob a batina branca! Eu gostaria de poder andar ainda pelas ruas de Roma, que é uma cidade belíssima. Os encontros mais importantes de Jesus e sua pregação foram nas ruas e estradas. Certamente me agradaria muito andar a comer uma boa pizza com os amigos. Mas sei que não é fácil, quase impossível. O que não me falta é contato com as pessoas. Encontra muita gente, mais ainda do que quando estava em Buenos Aires, e isto me alegra bastante. Quando abraço as pessoas que encontro, sei que Jesus me abraça”.

A canonização dos pais de Santa Teresinha

Enfim, o Papa explicou porque vai canonizar os pais de Santa Teresinha: “Luís e Zélia Martin, os pais de Santa Teresinha, são um casal de evangelizadores, que, por toda a vida, testemunharam a beleza da fé em Jesus. Entre as paredes do lar e fora. Noto como a família Martin era acolhedora e abrisse sua porta e seu coração, embora, no tempo deles, uma certa ética burguesa desprezasse os pobres, com a desculpa de decoro. Ambos, com suas cinco filhas, dedicavam tempo, energia e dinheiro em socorrer os necessitados. São, sem dúvida, um modelo de santidade e de vida matrimonial”.

O Papa e as rosas de Santa Teresinha

Então, o Papa voltou a falar de sua devoção a Santa Teresinha: “Ela é uma das santas que mais nos fala da graça de Deus e como Deus assume o cuidado de todos nós, nos toma pela mão e nos permite escalar agilmente a montanha da vida, desde que nos abandonemos totalmente a Ele, que nos deixemos levar por Ele. Teresinha compreendeu, na sua vida, que o amor, o amor de reconciliação de Jesus, é que move a vida da Igreja. Isto me mostra Teresinha. Fazem-me bem suas palavras contra o espírito de curiosidade, de tagarelar. A ela, que se deixou, simplesmente, sustentar e levar pelas mãos do Senhor peço frequentemente de tomar nas mãos um problema que devo enfrentar, uma questão que não sei como irá terminar. E lhe peço que aceite de assumi-lo e de me enviar, como sinal, uma rosa. Muitas vezes, tenho recebido uma!”