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“Experiência Mística e Psicanálise” + “Sonhar, fantasiar, virtualizar” + “politica e moral em Foucault”

Ricardo Torri de Araújo, “Experiência mística e psicanálise”, Loyola / SP 2015, 21×14, 69 pp.

O Autor é docente na PUC – RJ, Doutor em Teoria Psicanalítica pela UFRJ. A quem interessar possa, ele é padre jesuíta. O livro introduz o leitor à possível resposta a uma pergunta que preocupou o próprio Freud: mística é psicose? Os fenômenos místicos são psicóticos? Para reestudar a questão, num capítulo introdutório, Araújo mostra que a psicologia tem sua palavra a dizer sobre a mística, sem pretender ser exaustiva, deixando espaço para a teologia espiritual ocupar com toda legitimidade. Os escolásticos diriam que a psicologia e a teologia espiritual abordam o mesmo objeto com formalidades diversas. Logo não são competidoras, mas complementares. Alguns capítulos intermediários têm o mérito de levantar no leitor perguntas, e, sem dúvida, no Autor, desejo de ampliar, mais esclarecer e debater, como a matéria requer. Esta obra, sem dúvida é uma primeira e prometedora abordagem, mas deixa o leitor insatisfeito. Contudo, o último capítulo, embora merecesse maiores desenvolvimentos, satisfaz a pergunta inicial com nitidez. Uma observação: se Santa Teresa de Jesus, como o Autor cita (p. 25) classifica como “grosseira” a metáfora do casamento de Deus com a alma, o que ela diria da estátua de Bernini (p. 26), que, sem dúvida, fala mais da psicologia do escultor do que da psicologia da Santa? Outra observação: nem sempre o ato da cópula é um ato de união (capítulo 5), muito menos de comunhão de “duas metades” (p. 30-31), mas com frequência pode ser uma ato de posse, domínio, destruição do outro… Trabalho para um público mais restrito, ele pode ser aproveitado por pessoas dotadas de curiosidade e interesse por este campo que une e separa a psicologia e a religião.
Serge Tisseron, “Sonhar, fantasiar, virtualizar – Do virtual psíquico ao virtual digital”, Loyola / SP 2015, 23×16, 181 pp.

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O Autor é Doutor em Psicologia, orientador de teses na Universidade de Paris, com obras traduzidas em 14 idiomas. Nesta obra ela afasta qualquer legitimidade ao temor difuso pelas tecnologias digitais, comparáveis, como ele mostra, às possibilidades de nossa própria mente. As tecnologias têm como modelo os nossos mesmos processos mentais. Estudar tais tecnologias à luz do “virtual psíquico” permite entender melhor os diferentes usos dos “games” e também da sua patologia, seu papel no aprendizado, e porque “viciam”. Obra necessária para psicólogos, educadores.
Mônica Loyola Stival, “Política e Moral em Foucault – entre crítica e nominalismo”, Loyola / SP 2015, Coleção “Filosofia”, 21×14, 314 pp.

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A Autora é docente da Federal de São Carlos, e seu campo de pesquisa é, preferencialmente, filosofia política e história da filosofia moderna e contemporânea. Recentes polêmicas sobre as posições de Foucault em relação ao liberalismo tornam mais atual esta leitura crítica do grande filósofo, avaliando a dimensão política do seu pensamento. Contudo, Mônica dá alicerces diferenciados a seu estudo, debruçando-se sobre os pressupostos metodológicos e epistemológicos de Foucault. Assim, antes de desenvolver as 3 partes principais do livro, a Autora nos apresenta com grande lucidez, “O quadro conceitual de Foucault”, quase o “status quaestionis”, ou pressupostos requeridos para entender o restante. Seguem-se as 3 partes principais: “O sujeito do liberalismo”; “O sujeito na história”; “O sujeito moral”. A 1ª parte conclui com um quase ensaio, valioso por si só: “A Liberdade e a medida do governo”. Do mesmo modo a 2ª: “Liberdade pragmática”; e a 3ª: “Liberdade fisiológica ou a liberdade e a medida do discurso”. Um apêndice enriquece o conjunto: “Mundus vult decipi”. Bibliografia. Obra para professores, alunos e estudiosos da filosofia e da história do pensamento no mundo contemporâneo.