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Fragmentos de lembranças no Livro dos Juízes (Jz 17-21)

Fragmentos de lembranças no Livro dos Juízes (Jz 17-21)

Comentaristas consideram os últimos capítulos do Livro dos Juízes como um “Apêndice” *. A qualquer leitor fica claro que a história não tem mais semelhança com uma narrativa, seguindo certa ordem do tempo. Parecem episódios que o Autor quer conservar, mas não sabe muito claramente onde encaixá-los na sucessão dos juízes.

O primeiro episódio, o Santuário de Micá (Jz 17) mostra que a fé no único Deus de Abraão, Isaac e Jacó continua tendo fortes competidores no povo. Assim, uma senhora piedosa providencia que se forje um ídolo de metal fundido. A piedosa senhora bendiz a Deus e manda, com seu filho, erguer um pequeno santuário. Bendizem ao Senhor por conseguirem um levita para ser sacerdote do pequeno templo idolátrico. Como se vê, em muitas camadas da população, a fé javista se misturava com tradições diferentes, tal como, no Brasil de hoje, religiões africanas e o espiritismo permanecem juntas na prática da vida de muitas pessoas

O segundo (Jz 18), relata uma migração da tribo de Dan e como acabaram erigindo um santuário, tendo saqueado o de Mica e sequestrado o levita a seu serviço. O Autor sagrado revela ainda que este culto particular se manteve até que os assírios conquistaram o Reino de Israel (Samaria) e deportaram os membros das dez tribos do norte.

O terceiro e último (Jz 19-20) dá notícia extensa da guerra civil que quase exterminou a tribo de Benjamim. Ela teve de ser, de algum modo, restaurada, às custas dos moradores de Jabés de Galaad, chacinados, exceto as mulheres virgens, dadas como esposas aos benjaminitas sobreviventes. As Doze Tribos tinham noção do laço entre elas, apesar de muita violência.

* Assim em “La Bibbia – Via, Verità e Vita” – Nuove Edizione, San Paolo, Torino (Itália) 2012.