Coisas da Bíblia – 2: Gênesis, livro de religião
abril 17, 2013

Gênesis: o Livro dos Começos

ceusterraNo tempo do cativeiro da Babilônia, um sábio de Israel, inspirado pelo Espírito Santo (ver 2Pe 1,20 e 2 Tm 3,16), compôs este Livro Santo para que o Resto de Israel não esquecesse da Aliança com o Senhor (Adonai), o Único Deus. Ele abre o livro com o Poema da Criação (Gn 1,1 a 2,4). Ensina que tudo o que existe só existe pela Palavra Criadora do Altíssimo: E Deus disse (…) e assim foi! Bonito e verdadeiro refrão, marcando a canção de amor do Pai nosso num tempo de Aliança! Pois 7 são os dias; 7=3+4; 3, número indivisível, número de Deus; 4, as 4 direções do mundo: norte, sul leste, oeste, o conjunto de todas as criaturas! Assim 3+4=7! Num tempo em que os números eram letras e significavam mais coisas do que quantidades, 7 o número da Aliança entre o Criador e sua Criação maravilhosa.

O autor transmite, de um modo narrativo e simpático, que qualquer um pode guardar de memória, como o homem e mulher são obra de Deus, feitos para cultivarem o jardim, isto é, serem felizes colaboradores da obra da Criação. O mal, a negação e ausência de bem, vem da cobiça, da ambição de assumir o lugar de Deus, com isto destruindo a relação de amor e gratidão. Deste modo se perde a qualidade de vida, vida de filhos! Pecado! Que pena! Mas o Senhor, em vez de uma boba tanga de folhas de figueira, dá um agasalho bom e quentinho para os primeiros homens (Gn 2,4 a 3,24)! O pecado original é querer se igualar a Deus, deixando-o de lado, comendo a fruta da árvore da ciência do bem e do mal. Que engano! Deus é todo bom, é puríssimo bem, e não tem nada a ver com a ciência do mal! Só vamos ficando parecidos com ele pela ciência do bem (Eclo 19,20-22)! A forma completa desta ciência do bem é o Evangelho de Jesus!

Depois, nosso escritor sagrado vai nos catequizar, sempre através das narrativas, as memórias do povo, ensinando a fé no Deus Único e Verdadeiro, a maravilha da sua Aliança com Noé e Abraão, para, com o tempo, o Povo de Deus se tornar uma Bênção para todos os povos (Gn 12,3). Ele não é mais um historiador, nem mais um contador de estórias. Ele é um santo sábio que fala sério para nos transmitir a graça de ver a vida da humanidade não como um filme qualquer, mas como a História de nossa Salvação. Sim! A bênção original é mais forte do que o pecado original!

R. Paiva, SJ

* Gn: Livro do Gênesis; 2Tm: 2ª Carta a Timóteo; 2Pe: 2ª Carta de Pedro; Eclo: Livro do Eclesiástico (ou Siracida)