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Igreja, Bíblia e Nova Evangelização – Dom Orlando Brandes

Igreja, Bíblia e Nova Evangelização.

Fé, encontro com o Senhor é o fundamento de tudo o que fazemos. Se for sólida como uma rocha não desabará nas inundações e ventos fortes. Mas, se as bases não forem sólidas, não poderemos resistir ao mínimo obstáculo. No que diz respeito ao encontro e relação com Cristo, não somos nós que tomamos a iniciativa é ele que vem bater à nossa porta (Ap. 3, 20). Para nós a forma mais simples, eficaz e concreta de encontrar o Senhor são os Livros Sagrados. Deixemo-lo entrar através da porta da Bíblia. A Palavra se tornará para nós “espírito e vida” (Jo. 6, 63).

Há outro problema: a oração. Nós católicos estamos tão acostumados a fórmulas prontas que corremos o risco de perder a espontaneidade, a alegria, o fervor, o entusiasmo e cair numa simples rotina. Já os protestantes são bem diferentes e isso aparece na pregação e na oração. Penso que todas as perguntas e os desafios relativos à Nova Evangelização possam ser reduzidos apenas a um: a Palavra do Senhor. É preciso memorizá-la como fez Santa Terezinha que decorou todos os trechos bíblicos que encontrou. Diz o apostolo Pedro: “Somos um povo regenerado não de uma semente corruptível, mas imortal, a Palavra de Deus viva e eterna” (I Pd. 1, 23). A Palavra de Deus é o ventre do nosso ser. Devemos voltar a este lugar original do nosso ser.

O Sínodo da Nova Evangelização deve estar em conexão com o Sínodo da Palavra: evangelizar-se para evangelizar. Há hoje uma mentalidade que despreza a religião como obstáculo ao desenvolvimento social e cientifico. Isso leva a uma indiferença mortal, uma forma de ateísmo mascarado, mas, difundido e praticado. As discórdias entre as Igrejas aumentam este ateísmo. Isso obriga a Igreja a defender-se em vez de dar testemunho de Cristo. Tudo isso debilita a fé das pessoas

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Outro motivo da degradação religiosa é o aumento da migração, que é um “mel amargo” como disse o Papa aos jovens no Líbano. A imprensa se dispõe contra a Igreja para desacreditar e debilitar a sua força moral difamando a fé. É preciso sair das catacumbas do medo e remar contra a corrente.

A prática de penitencia ajuda as pessoas a levar uma vida serena e tranquila. Isso se entende quando na missa se derrama algumas gotas de água no vinho. A água representa a natureza humana e o vinho é o sangue de Cristo que nos transforma em seu Corpo glorioso. A Nova Evangelização deve começar pelo “Misterium Pietatis”: o Coração Misericordioso que ajuda os fieis a ter consciência da gravidade do pecado. É preciso restabelecer o hábito de confessar-se. Recordemos a parábola da ovelha tresmalhada, da dracma perdida, do filho pródigo e as palavras de Jesus: “há mais alegria no céu” (Lc. 15,7) por um pecador que se converte. A liturgia não é obra do homem nem frenesi criativo, é encontro com Deus. Haja menos barulho e mais interioridade.
Nosso modo atual de evangelizar perdeu seu poder de atrair o mundo. Produzimos conferências e documentos, mas, as mensagens não foram transmitidas nem difundidas em medida suficiente. Devemos admitir com humildade que as nossas respostas foram superadas pelas mudanças do mundo. Simplesmente não somos capazes de oferecer soluções aos indivíduos e às sociedades, prisioneiras nas estruturas e nas ocasiões de pecado.

As nossas vozes são suprimidas por leis nacionais e pela força da mídia. Há ainda o impulso do fanatismo e do extremismo. Por isso, existe uma exigência urgente de transmitir a doutrina da Igreja em relação à linguagem, à forma, às expressões e meios. Os escândalos, a lideranças esgotadas, os estilos de vida materialistas e a perda de zelo pastoral estão entre os riscos da missão evangelizadora.

A formação dos seminaristas deve ser revista. A vida quase fora da realidade e por demais intelectual, fácil e confortável, destacada do mundo, faliu na formação de pastores competentes e receptivos face às necessidades das pessoas. A doutrina Social deva se tornar um elemento essencial e indispensável da catequese e da pregação. O Evangelho explicado à luz da doutrina social pode tornar-se mais aceito à mente moderna.

Dom Orlando Brandes