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Isaac: o Filho da Velhice e da Promessa (Gn 21-22)

Pe. Paiva, SJ

“O Senhor visitou Sara – como havia dito – e cumpriu o que prometera” (Gn 21,9). Isaac nasceu como dom muito especial de Deus para aqueles pais cansados de esperar um filho próprio, “para cumprir o prometido” (Rm 21,11). O nascimento prodigioso é marca da intervenção livre e fecunda do Altíssimo: “Portanto a herança provém da fé. Comprova-se, então, que é por um dom gratuito que a promessa está garantida para toda a descendência” (Rm 4,16).

Em cada dia de nossas vidas, vemos o sol nascer e se pôr, as plantas florescerem e frutificarem… Então podemos esquecer Deus, ou até dizer que o mundo é o mundo e Deus não faz falta… As coisas acontecem porque acontecem. Então, quando a desesperança toma conta de nossos corações, o inesperado acontece: nasce uma criança de um ventre velho, ou… de uma Virgem! E – maravilha! – olhamos tudo com outros olhos e nossos corações acreditam de novo e vibram de esperança, agradecidos por tanto amor: “Abraão não se deixou levar pela incredulidade. Mas, fortalecido pela fé, deu glória a Deus, convicto de que Ele é poderoso também para cumprir o prometido” (Rm 4,20-21).

Corremos sempre o risco de achar que o dado é nosso e não cria nenhum laço de lealdade com o doador! É o risco da ingratidão, o contrário da “Eucaristia”, “a boa ação de graças”! Para educar nossa alma no reconhecimento da verdade, formando em nós corações gratos e contentes, Deus nos experimenta: “Purificarei como se purifica o ouro e a prata” (Zc 13,9). Por isso o Senhor chama Abraão para que lhe ofereça Isaac em sacrifício total (holocausto) no Monte Moriá (Gn 22,1). Abraão tem o coração apertado e confuso. Prepara tudo conforme os usos do seu tempo: não exigiam os ídolos dos povos vizinhos, os cananeus, que se queimassem vivos os primeiro nascidos? Mas seu coração também pressente que “oferecer um holocausto ao Senhor” será muito diferente. Por isso, na subida do monte, dá uma resposta inspirada ao filho, que lhe pergunta: “Pai, aqui estão fogo e lenha, mas onde se acha o cordeiro para o holocausto?” E Abraão responde, com fé somente na escuridão em que se move, quando o amor de Deus parece ter desaparecido: “Deus providenciará o cordeiro, meu filho” (Gn 22,8).

Bem sabemos como a terrível provação terminou: há um cordeiro nos espinheiros no alto do monte. Deus somente quer a entrega do coração, e rejeita sacrifícios humanos! Ele não é um ídolo, sequioso de aterrorizar seus adoradores, exigindo morte! Ele é o Deus dos vivos, não dos mortos (Lc 20,38). Hoje o Dinheiro, o Petróleo, a Água, a Terra, o Poder exigem opressão e guerras! São ídolos! Mas nós, filhos de Abraão, cremos no Deus da Vida! Cremos em Jesus, o Filho Único e Amado, verdadeiro Cordeiro de Deus, sacrificado no Monte Calvário!