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Jesus – Jesus e o maravilhoso – Giovanni Papini

JESUS E O MARAVILHOSO

 

Por razões semelhantes, Jesus recusa o outro desafio. Os homens amam o maravilhoso, O maravilhoso exterior, o prodígio, a impossibilidade física convertida em possível a seus olhos. Têm fome e sede de portentos. Estão prontos a prostrar-se diante de qualquer milagreiro, ainda que diabólico e charlatão. Todos pedirão a Jesus um sinal deste tipo. Mas sempre recusará. Não quer seduzir pelo prodígio. Há de curar doentes – especialmente os enfermos de espírito e os pecadores – mas, muitas vezes, escapará da ocasião destes milagres e mandará aos curados que silenciem o nome de quem os curou. Mas, sobretudo, nunca usará aquele poder para livrar-se a si próprio (…). Coração, quer falar aos corações; sublime, quer sublimar, puro, quer purificar; amor, quer inflamar aos demais no amor; grande alma, quer engrandecer as pequenas almas abandonadas. Em vez de atirar-se no precipício na beirada do Templo, do Templo subirá à montanha para proclamar, lá do alto, as bem-aventuranças de seu Reino.

A oferta de reinos desta terra tem de horrorizá-lo, e, sobretudo, o preço pedido por Satã. Satã pode oferecer o que é dele. Os reinos da terra estão, com frequência fundados sobre a força e se mantêm pelo engano. Ali está seu terreno. Satã dorme, todas as noites, na cabeceira dos poderosos. Eles o adoram com seus atos e lhe pagam tributo diário de pensamentos e obras. Mas se Jesus oferecesse a todos pão sem trabalho, se Jesus, como um mágico de prestígio, abrisse um teatro público de milagres populares, poderia arrancar os reis de seus reinos sem ter de dobrar os joelhos diante do adversário. Se quisesse parecer o messias sonhado pelos seus contemporâneos sem sonhos nostálgicos de escravos, Ele sabe o caminho: bastaria corrompê-los com a abundância e a maravilha, fazer de toda a terra um mundo de riquezas e de encantamentos e, imediatamente, ocuparia todas as colocações dos agentes de Satã (…)