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João o Batista, o Precursor do Messias (Léonce de Grandmaison)

São João Batista

JESUS CRISTO
Léonce de Grandmaison, SJ

Este padre jesuíta, falecido em 1927, não viu publicada esta obra, à qual dedicou a sua vida. Sua obra continua sendo respeitada, editada e lida. Ainda recentemente, uma cuidada edição espanhola, foi lançada pela EDIBESA, Madrid, 2000, preparada por José A. Martínez Puche, OP

Em cada um dos próximos segmentos, apresentaremos uma pequena seleção dos textos. Como em todos os Autores visitados nesta seção, tentaremos lhes dar a saborear uma página referente a cada parte do Rosário: infância, vida pública, paixão, ressurreição e glória de Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

1 João Batista

No ano 15 do reinado de Tibério César (Lc 3,1), isto é … no ano 26 depois de Cristo, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, e os filhos de Herodes, o Grande, Herodes Antipas e Filipe, reis ou príncipes nos distritos a norte e a leste da Terra Santa, e exercendo o Sumo Sacerdócio, desde 8 anos, José Caifás, sob a tutela do sogro, Anás, João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de penitência para a remissão dos pecados (Mc 1,14).

Em conformidade com a grande tradição dos profetas, que ele retomava depois de uma interrupção de vários séculos, mas em contraste com aquele ambiente dominado pelos escribas e pela piedade farisaica, o filho de Zacarias causou sensação por sua personalidade e por sua palavra.

Vestindo-se com um traje de lá de camelo, amarrado na cintura por um cinto de couro, no estilo de Elias (2Rs 1,18), vivendo dos pobres alimentos que o deserto podia oferecer – gafanhotos e mel silvestre – João pregava a penitência como sua atitude, mesmo antes de dizer qualquer palavra.

Em vez de anunciar represálias e desforras contra os pagãos – como agradava aos que sonhavam com apocalipses – sua mensagem levava a uma conversão real e verdadeira. Era o que exigia desde já aos filhos de Israel.

Com uma linguagem atenuada pelo uso que dela faziam os provetas, mas nem por isto abolida, exortava as multidões à penitência efetiva e sincera. Estava próximo o julgamento: o machado está rente à raiz da árvore, pronto para o corte, para atirar no fogo toda a planta estéril… (ver Mt 3,10):

Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da cólera (de Deus) que está iminente? Fazei frutos dignos de penitência e não digais dentro de vós: “Temos Abraão por pai!” (Mt 3,7-9a = Lc 3,7-8a).

Os autênticos filhos para este grande amigo de Deus são os que, como ele, caminham na presença do Senhor e são perfeitos em suas trilhas. . Deus pode fazer surgir justo desta qualidade onde quer que encontre um coração humano. Mesmo que seja de pedra, pois pode mudá-lo num coração de carne, sensível a seu amor e temor (Gn 17,1; Mt 3,9b; Lc 3,8b; Ez 36,26) …

Não é fácil determinar a parte que João tomava pessoalmente na cerimônia de imersão nas águas do Jordão, primeiro, e, depois, nos belos mananciais de Ennon, perto de Salim (Jo 3,23-24). Mas o sentido geral do batismo se depreende do mesmo rito, naturalmente uma purificação, destinada a preparar o julgamento messiânico, conforme João.

Esta purificação exemplar estava orientada, efetivamente, como toda a missão, da qual vinha a ser um tipo de sacramento, para o futuro. Não para um futuro distante e impreciso, mas para uma crise próxima, decisiva, um juízo de Deus, cujo instrumento providencial seria o Messias.

João preparava o caminho para este mensageiro divino, maior que ele, do qual ele não merecia ser servo para desatar – na humilde postura familiar – as correias das sandálias (Mc 1,7) … Ele batizava com a água que lava os corpos. O batismo espiritual, que purifica a alma e consome os pecados, como o fogo, estava reservado para o que viria (Mc 1,8;Mt 3,12; Lc 3,16c-18).