Companheiros de Jesus?
agosto 30, 2013
Catequese do Papa Francisco – 1 – por Dom Orlando Brandes
setembro 2, 2013

Lembremo-nos da Somália!

Lembremo-nos da Somália!

Dom Giorgio Bertin é Bipo de Djibuti, pequena nação encravada no “Chifre da África”, ao norte da Somália, quase na entrada o Mar Vermelho. Ele também é o Administrador Apostólico de Mogadiscio, capital da Somália, agora dividida em Somalilândia e Somália propriamente dita. Em Mogadiscio, há um esforço para reconstruir a nação e o estado. Somente este ano, Dom Giorgio conseguiu entrar nas duas regiões, e ter contato com seus líderes, e ainda encontrar algum católico.

Em 3 de agosto próximo passado, ele voltou de uma visita à capital semi-destruída. Conta que foi bem tratado no hotel, onde quase todos falavam italiano, e o cozinheiro lhe preparou uma refeição, embora ele mesmo estivesse de jejum, pois era o mês de Ramadan e os somalis são majoritariamente muçulmanos. O espírito da população é tolerante, mas na sua pobreza, abandono e ignorância, tem sido trabalhado pelos fundamentalistas da “Al Shabaab”, que manobra milícias ferozes numa guerra que deixou a nação virtualmente sem governo nestes últimos anos. Apenas recentemente, pôde ser instalado na velha capital algo semelhante a instituições estatais.

Em entrevista aos repórteres de La Stampa (Vatican Insider 14.08.13), Dom Giorgio disse que há muito medo que os milicianos voltem a dominar o inteiro país, e que teve muita dificuldade de encontrar interlocutores, em particular no norte, na assim autodenominada “Somalilândia”. Muitos temem que o governo possa ser acusado de muita amizade com cristãos e seja punido com ataques das forças da “Al Shabaab”. O Bispo está se empenhando pela permissão de abrir um lugar de culto para os católicos em Mogadiscio, a capital, a fim de atender os católicos expatriados que lá trabalham. Em Hargesia, no norte, foi possível ter em funcionamento uma capela, única na região.

Mas antes de tudo, Dom Giorgio pede que seja concedido a cristãos reentrar na Somália com iniciativas de ajuda humanitária. Por exemplo: abrir uma escola profissional em Mogadiscio com apoio dos salesianos. No entanto há muita insegurança, a ponto de não se poder circular pela capital sem escolta armada. Os “Médicos sem fronteira”, depois de 22 anos, tiveram de se retirar, e os franceses só permaneceram aceitando escoltas. As instituições são muito frágeis e precisam de apoio externo. Sem que elas se fortaleçam, não será possível gozar de direitos fundamentais, inclusive alguma liberdade religiosa para a minoria.