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Levítico: o bode expiatório (Lv 9) e a seriedade do culto (Lv 10)

Levítico: o bode expiatório (Lv 9) e a seriedade do culto (Lv 10)

No capítulo 9 do Livro do Levítico encontramos um “personagem” que virou até uma expressão muito usada entre nós: o famoso “bode expiatório”. O “bode expiatório” é um inocente que é feito culpado, para livrar os verdadeiros culpados: “Fulano foi bode expiatório neste caso!”. Isto é, houve uma injustiça.

O bode expiatório era um animal, um bode, que era expulso do acampamento carregando, simbolicamente, os pecados do povo (Lv 16,8). Era um ritual dramático, em que todos eram relembrados de que o pecado, a negação do amor e da misericórdia, o egoísmo e a desunião não deveriam ter o domínio da história do povo, embora sempre de novo levantassem as cabeças venenosas na realidade vivida. Aqui, no capítulo 9, além do bode, um bezerro e um cordeiro foram oferecidos em holocausto. Nós, cristãos, não podemos deixar de pensar em Cristo, o Cordeiro de Deus, esgotado na Cruz por nós até a última gota de água e sangue do seu Coração sagrado.

No capítulo 10 temos uma narrativa para dar medida de que o culto não poderia nunca ser só exterior; o incenso falsificado oferecido causa a morte dos oferentes, Nadab e Abiú. Por que falsificado? Possivelmente se dá o pior para não gastar. Um ato de avareza, de cobiça, onde Deus fica em segundo plano… Podemos achar lendário o relato destas mortes: “Da presença do Senhor saiu um fogo que os devorou, e morreram na presença do Senhor” (Lv 9,22). Mas toda cobiça, toda avareza, toda ânsia desregrada de ter, de possuir, devoram a pessoa por dentro e a tornam desumana. Na continuação do capítulo vemos que os sacerdotes tinham sua parte reservada – partes gordas e boas, como convinha a quem pegava pesado no deserto e no trabalho quase que de magarefes e açougueiros do Templo. Não precisavam ceder a preocupações: serviam ao Senhor e o Senhor cuidava deles (ver Mt 10,7-10).