São João Batista – 24 de junho – Leitura Orante
junho 24, 2015
Publicados os dois últimos volumes do segundo tomo da Obra Completa de Vieira!
julho 17, 2015

Na festa da Senhora do Carmo, rezando com São Leão Magno

“Uma Virgem da descendência real de Davi…”

Na festa da Senhora do Carmo, rezando com São Leão Magno *

“Uma Virgem da descendência real de Davi foi escolhida para a sagrada maternidade: iria conceber um Filho – Deus e homem – primeiro, em seu espírito, e, depois, em seu corpo”.

– Mãe, primeiro, concebeste na Fé, na acolhida do Anúncio do Arcanjo Gabriel, na confiança na Palavra de Deus. Alcança-nos confiar assim, filhos concordes com a Mãe, filhos de coração batendo no ritmo amoroso do vosso Imaculado Coração! Nós também somos de descendência real, pois Jesus nos fez seus irmãos. Sim, pelo batismo nós somos “reis, sacerdotes e profetas” (ver 1Pe 2,9). Somos também teus filhos, Mãe Admirável, Senhora das Dores e de toda a santa Esperança! Que, primeiro, na Fé, concebamos a vida nova segundo o Evangelho de Jesus, e, depois, nas nossas ações, testemunhos, obras de misericórdia espirituais e corporais, possamos conceber no dia a dia.

“Para evitar que, desconhecendo o desígnio de Deus, ela se perturbasse perante tão efeitos tão inesperados, ficou sabendo no colóquio com o Anjo, que era obra do Espírito Santo o que nela se realizaria. Maria pois acreditou que, estando para ser em breve Mãe de Deus, sua pureza não sofreria dano algum.”

– Parece difícil, nos nossos duros dias descrentes, pôr fé em Anjos, anunciando a promissora Palavra de Deus e a obra do Espírito Santo parece impossível! Na verdade, todos dizem que não é crível seja anúncio de Anjos, seja a concepção por obra do Espírito, algo que escapa à biologia. Mas porque o Criador da Bíblia não poderia sinalizar que Sua intervenção não machuca, não prejudica, não invalida os desejos que Ele mesmo gerou em nossos corações, como o desejo de perpétua virgindade e humilde serviço, Mãe, no teu Imaculado Coração?

“Como duvidaria desta concepção virginal tão original, aquela a quem é prometida a eficácia do poder do Altíssimo? A sua Fé e confiança são ainda confirmadas pelo testemunho de um milagre anterior: a inesperada fecundidade de Isabel. De fato,quem tornou uma estéril capaz de conceber, pode também fazer com que uma virgem conceba”.

– Mãe, hoje boa parte do mundo ou não crê em Deus, ou não aceita o Evangelho, ou prefere um Evangelho para os humildes e outro para os eruditos, os exegetas e professores. Assim julgam como descartável a Anunciação do Anjo, a Concepção e o Parto Virginais, e até, de novo, a divindade e humanidade de Jesus, teu Filho e Filho Altíssimo. Dizem que não se podem levar a sério narrativas tão “mitológicas”, ou “alegóricas”, ou “teológicas”, meros “gêneros literários”, no fundo, “ficções”. Contudo, como não crer no que dura? Dura mesmo onde o cristianismo não se tornou nunca religião oficial. Lembro dos guaranis, já desamparados dos jesuítas, oprimidos pelo poder colonial, e que conservam grande amor a ti, Mãe, e a teu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

“Portanto, a Palavra de Deus, que é Deus, Filho de Deus, que, ‘no princípio, estava com Deus, por quem tudo foi feito, e, sem ela, nada se fez’ (ver Jo 1,2-3), a fim de libertar o homem da vida eterna, se fez homem. Desceu para a nossa humildade, sem diminuir sua majestade. Permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira condição de escravo à condição segundo a qual ele é igual a Deus. Realizou assim entre as duas naturezas uma Aliança tão admirável que, nem a inferior foi absorvida por esta geração, nem a superior foi diminuída por esta elevação”.

– Mãe, a Palavra Criadora, Onipotente, fez o que disse, faz o que diz e fará o que dirá, pois é Eterna. Quando abraçavas, beijavas e cuidavas do corpinho do Teu bebê, adoravas o teu Deus e Senhor, Deus Amor-amor, que não se perde, quando se abaixa, mas se revela poderosamente! É o amor do/ médico/ que se curva sobre o doente; do gari, que se inclina para varrer a rua ou pegar o saco de lixo e atirar na caçamba do caminhão; enfim, de todos os que se abaixam para acudir, servir, cuidar, curar! Esta é a Majestade do Amor! Mãe, inclina-te sobre nós, pois és a Senhora do Carmo, do Monte Carmelo, do monte onde El Shaddai revelou que não estava na furiosa tempestade, mas na brisa delicada (1Rs 19,12).

Rezemos com a Igreja na festa da Senhora do Carmo:

“Venha, ó Deus, em nosso auxílio a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo, para que possamos, sob tua proteção, subir ao Monte, que é Cristo,
Que convosco [Pai] vive e reina , na unidade do Espírito Santo, amém!”

* Da segunda leitura do Ofício das Leituras do dia da festa, 16 de julho, com  a oração da Missa da Memória.