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No final, Saul vai a Endor – começam os tempos de Davi

A feiticeira de Endor evoca o espírito de Samuel

Saul vai a Endor (1Sm 28)

Naqueles tempos complexos, quando Israel ainda não era propriamente uma nação minimamente organizada, com instituições centrais, escribas atarefados em registrar contas, decretos, correspondência comercial e política, capazes de redigir textos de caráter mais histórico e religioso, havia recurso habitual a videntes (ver 1Sm 9,8-10). Saul mesmo teria tomado a medida drástica de “expulsar do país todos os invocadores dos espíritos dos mortos e adivinhos” (1Sm 28,3). Mas, homem do povo, conservava no seu íntimo, crença nos seus poderes sobrenaturais. Tendo Samuel morrido (ver 1Sm 28,3), Davi se tendo colocado a serviço de um rei filisteu (ver 1Sm 27,2), pressionado pelo mal estar interior e pelos inimigos exteriores, Saul fraquejou. Bem que tentou consultar o Senhor: “Mas o Senhor não lhe respondeu, nem pela sorte, nem pelos profetas” (1Sm 28,6). Por isso, o pobre rei disse a seus servidores: “Procurai uma mulher que evoque o espírito dos mortos, para que eu vá consultá-la” (1Sm 28,7). Saul, disfarçado, foi ao lugarejo de Endor, no sopé do monte Tabor, e recorreu aos serviços da feiticeira.

O que terá acontecido entre os dois? Certamente nunca saberemos. Num encontro noturno, e, quanto saibamos, sem testemunho de terceiros, o rei, disfarçado, pediu que a mulher invocasse Samuel. Ora, ela não contaria nada a ninguém, pelo medo de ser expulsa ou morta. Saul não teria nenhum interesse em divulgar os acontecimentos. Sabia que contrariava suas próprias decisões públicas. Sabia que a perderia ainda mais credibilidade se suas tropas, acampadas diante de uma poderosa força dos filisteus, soubessem de seus temores e fraquezas, e, muito mais, da resposta negativa, que lhe teria dado o espírito de Samuel. Assim, não estamos diante de um relato de testemunhas oculares, mas de uma notícia que cresceu com o tempo e virou uma cena dramática, com Samuel se manifestando como um fantasma e anunciando a derrota e a morte do infeliz Saul, que, no entanto, enfrentou a batalha nos montes Gelboé. Ali as forças de Israel foram amplamente superadas, ele e Jônatas também foram contados entre os mortos, com outros dois filhos do rei: Abinadab e Melquisua (ver 1Sm 31). Davi era o único líder disponível entre os israelitas. Começava um novo tempo.