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Novidades Loyola (22.08.13)

Novidades Loyola (22.08.13)

Rémi Brague, “Âncoras no céu – a infraestrutura metafísica”, Loyola / SP 2013, 19×12, 122 pp.

O Autor é docente na Sorbonne, perito em filosofia da Idade Média, não só cristã, mas também árabe e judaica. Um livro breve, objetivo, enfrentando as questões mais momentosas da filosofia moderna e contemporânea. O capítulo 1 soa como o enunciado da tese do Autor: A Metafísica como saber e como vivência”; seu § 4: “Uma ausência a ser compensada”. No capítulo 2, “A Metafísica posta sem eu devido lugar”, é discutida “A destruição moderna da metafísica”; “A metafísica indo mais adiante da física” e “O êxodo kantiano”. O capítulo 3 entra fundo na temática muito moderna do niilismo e do pessimismo e da tentativa de Nietzche e superar o perigo niilista, levando-o ao extremo: “O niilismo poderia eliminar as raças degeneradas e moribundas e desse modo liberar o caminho para uma nova ordem” (ver p. 32). O § 10, “A conversibilidade dos transcendentais” e o §11, “O desejo do bem”, reage ao pessimismo niilista, mostrando a união de Atenas e Jerusalém, filosofia grega e Bíblia, mas também, com Meca – cultura corâmica – de que o ser é bom. O capítulo 4, “O ser como existência bruta e a contingência da vida” examina a “deriva voluntarística” do pensamento ocidental, a partir de Avicena, mas atingindo um romancista de mão cheia: Flaubert! Se o § 15, o último deste capítulo tem como título: “A inveja de si mesmo”, basta ler os títulos dos capítulos seguintes para perceber por onde segue o Autor neste pequeno e genial livro, que poderíamos considera um “précis” da cultura filosófica ocidental e um ensaio sobre o mal estar deste começo do terceiro milênio: “facilidade do nada”; “amar viver e amar a vida”; “o suicídio coletivo”; “a produção do ser humano”; “aquém do bem e do mal”; “o ônibus abusivo”; “a fé ou a morte”. Este livro merece a atenção de todos que desejam perceber os rumos de nossa civilização.

Otfried Höffe, “Kant – Crítica da razão pura – os fundamentos da filosofia moderna”, Loyola / SP 2013, 23×16, 355 pp.

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O Autor, cuja tese doutoral foi “Filosofia prática – o modelo de Aristóteles”, homem de cultura ampla, pois graduado em filosofia, teologia, história e sociologia, sempre se interessou por grandes temas que dizem respeito à cultura contemporânea. Assim nós vamos encontrar nos eu currículo a docência de ética e filosofia social e a direção do Instituto Internacional de Filosofia Social e Política na Universidade e de Friburgo. Seu livro sobre “Justiça Política” foi traduzido para cerca de dez idiomas, inclusive no Brasil (Vozes 1991). Mais recentemente, Nythamar Fernandes de Oliveria e Draiton Gonzaga de Souza editaram um volume homenagem a sua obra: “Justiça e política – homenagem a Otfried Höffe” (EDIPUCRS 2003). Nesta obra ele se debruça sobre a obra kantiana, considerada por muitos como básica para o pensamento ocidental posterior: “A crítica da razão pura”. Esta edição será justamente considerada essencial para os estudos de filosofia moderna e contemporânea no Brasil.

Ernest Sosa, “Epistemologia da virtude – crença apta e conhecimento reflexivo – volume I” & “Conhecimento reflexivo – crença apta e conhecimento reflexivo – volume II”, Loyola / SP 2013, 21×14, 143 pp e231 pp.

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O Autor é professor e membro do Conselho de Diretores na Universidade Estadual de Nova Jersey / EUA, editor de duas revistas de filosofia, tendo deixado uma terceira em 2003: “Cambridge Studies in Philosophy”. Poderíamos considerar o subtítulo comum a ambas como o verdadeiro título desta obra epistemológica de grande valor para o estudo atual da teoria do conhecimento humano. No “Prefácio aos dois volumes”, o Autor explica que neles reuniu as seis conferências pronunciadas em Oxford em maio e junho de 2005: “Publicadas agora praticamente como proferidas, elas defendem dois níveis de conhecimento: o animal e o reflexivo; cada um visto como uma capacidade humana distinta. Os céticos negariam que tivéssemos tal capacidade, e a exposição do conhecimento que aqui se esboça é moldada por confrontações com dois céticos que julgo mais convincentes (…) Meu objetivo geral é apresentar um tipo da epistemologia da virtude compatível com uma tradição encontrada em Aristóteles, Tomás de Aquino, Reid e, especialmente, Descartes (embora nenhum deles a defenda em todas as suas partes) e iluminar certas variedades do ceticismo, sobre a natureza e o estatuto das intuições e da normatividade sistêmica”. Estas conferências podem propiciar ao leitor atento uma ultrapassagem intelectual do relativismo que se mostra coluna (frágil) do “pensamento único” atual.

Leo Pollmann, “O que contém realmente o Alcorão”, Loyola / SP 2013, 21×14, 206 pp.

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O Autor, mais conhecido pela publicação em alemão de uma história da literatura francesa, dedicou muito tempo ao estudo do Islã. Um dos seus resultados foi esta obra, que garante um guia seguro para uma compreensão mais exata do livro santo muçulmano, o Alcorão. Há um capítulo dedicado ao direito matrimonial, vida sexual e tratamento das mulheres. A guerra santa é tratada episodicamente, em outros contextos, como, inesperadamente, a alegria. Livro voltado para o grande público, leitura acessível, mas que não descura o aparato crítico.

Jean Michel Maldamé, “O pecado original – Fé cristã, mito e metafísica”, Loyola / SP 2013, 16×23, 246 pp.

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O Autor é docente no “Institut Catholique” de Toulouse (França), dominicano, membro da Academia Pontifícia de Ciências. Nesta obra ele retoma a teologia do pecado original, consciente da dificuldade que, no nível da pregação e da catequese, é sentida, a ponto de tantos preferirem omitir até mencionar esta doutrina. Tendo trabalhado na inspiração das Escrituras (“Um libre inspire: La Bible” – Du Cerf 1998), no problema do mal (“Le Scandale du mal” 2001 – id.) e providência (“Création et Providence” 2006 – id.) Maldamé ajuda realmente a compreender para falar sem pudores nem medos desta lição básica da fé, necessária para uma reta prática do Batismo. Importante é a retomada do estudo da origem do mal no mundo. O diálogo com Agostinho, Tom-as de Aquino, Kant, Ricoeur, Marie Balmary enriquece a leitura. Livro muito útil para professores e estudantes de teologia, ciências religiosas e o público que se questiona sobre o dogma em questão.

Erich Fromm, “Rever Freud – por uma outra abordagem em psicanálise”, Loyola / SP 2013, 23×16, 226 pp.

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O Autor foi um dos psicanalistas mais respeitados do século passado, onde defendeu que se revisse a intuição primordial freudiana sobre o inconsciente. A presente obra apresenta vários textos inéditos sobre a técnica analítica, concepções sobre a sexualidade e perversões sexuais. Também traz as últimas entrevistas do Autor (1978-1979) e três conferências inéditas de 1959. O presente volume é completado por um painel sobre a atualidade de Eric Fromm entre Jean-Michel Hirt e Gérard D. Khouri. Fica bem esclarecido que Fromm nunca foi um culturalista e sempre defendeu a vida (“biofilia”) contra as tentações letais (“necrofilia”). Obra de grande utilidade para terapeutas e estudiosos, além de interessados na história do pensamento das últimas décadas.

Lúcio Bento de Souza, “A Fé Trinitária e o conhecimento de Deus – Estudo do ‘De Trinitate’ de Santo Agostinho”, Loyola / SP 2013, Coleção “FAJE”, 19×13, 257 pp.

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O Autor é sacerdote diocesano, com mestrado em Teologia Sistemática pela FAJE. Depois de recordar os pontos principais da reflexão teológica sobre a Trindade no século IV, ele nos conduz a conhecer melhor o sólido fundamento bíblica da reflexão agostiniana, para focalizar a grande contribuição do Doutor da Igreja e notável pensador: a analogia psicológica e a doutrina trinitária. Uma boa ajuda aos estudantes de teologia sistemática e também da patrística, que será enriquecedora para todos os leitores de Santo Agostinho.

Leo Pessini & Christian de Paul de Barchifontaine (Orgs.), “Bioética Clínica e Pluralismo – com ensaios originais de Fritz Jahr”, Centro Universitário São Camilo & Edições Loyola 2013, 23×16, 519 pp.

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Os dois organizadores reuniram uma equipe, conhecida por seus estudos na área, e também empenhados na vida quotidiano do pessoal médico e paramédico, dos professores e estudantes universitários a quem mais de perto tocam os problemas, sempre mais agudos, na medida que a arte da medicina leva suas fronteiras mais a frente. A Parte I traz os aportes dos cooperadores, todos especialistas em seus setores. A Parte II é reservada aos ensaios em bioética e ética ao pioneiro Fritz Jhar (1926-1947). Certamente estes estudos serão bem recebidos pelo público que se debruça sobre estas candentes questões, onde se joga muito do presente e do futuro da nossa comum humanidade.