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O Amor que sustenta nas caminhadas da vida

Fuga para o Egito - Giotto

13º DIA

O Amor que sustenta nas caminhadas da vida

 

Nada melhor, no meio de crises e lutas, quando estamos quebrantados e até exaustos, de ouvirmos a voz do nosso Deus e Defensor nos animando e consolando. Foi este ânimo e consolo que levou Israel a superar situações extremas, como derrotas, opressão e exílio. O Amor sustentou o Povo através das gerações. Depois que o Império Romano destruiu Jerusalém, dispersou os judeus como escravos pelos seus territórios (ano 70 d.C.), a cada Páscoa os judeus se saudavam dizendo: “No ano que vem, em Jerusalém”. O Amor não deixa morrer a esperança e faz viver em meio a combates e sofrimentos. As promessas de Nosso Senhor ecoam nos corações e os tornam capazes de testemunho e vitória. A palavra que nos deu por meio de Isaías tem sido decisiva na superação das dificuldades da história tumultuada dos filhos de Israel, do Antigo e do Novo Testamento:

“Assim fala o Senhor Deus que te criou, ó Jacó; Aquele que te formou, ó Israel: ‘Não temas, eu te resgatei! Chamei-te pelo nome, és meu! Se passardes pelas águas, estou contigo; e pelos rios, eles não te afogarão. Se atravessardes o fogo, ele não te queimará, e a chama não te consumirá, porque sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador (…) Pois és de valor a meu olhos, és precioso e Eu te amo! (…) Sois minhas testemunhas – oráculo do Senhor –como meu servidor, que escolhi, para que aprendam e creiam e saibam que Eu sou” (ver Is 43,1-11).

Eu sou é o próprio Nome que o Senhor revelou a Moisés na sarça ardente (ver Ex 313-15). Na verdade é uma forma verbal: Deus é aquele que age, que cria, que traz a ser tudo o vem a ser. Jesus, na hora da sua prisão, disse: “Eu sou!”. E todos caíram por terra (ver Jo 18,4-8).

Deus é fiel em nos consolar, capaz de nos dar água para que sobrevivamos nas travessias do deserto. Mesmo quando somos ingratos, Ele, o Pai do Céu, não desiste de nos amar e vir em nosso socorro:

“E agora escuta Jacó, meu servo, Israel, meu eleito! Assim fala Eu sou, que te fez, que te formou desde o seio de materno e te ajuda! Não temas, Jacó, meu servo, Iechurum (o Honesto) meu escolhido, pois eu derramarei água no solo sedento e riachos na terra ressequida. Derramarei meu espírito sobre tua descendência, minha bênção sobre teus descendentes. Crescerão como erva sobre a água, como álamos junto à torrente (…) Assim fala o Rei de Israel e seu Redentor, Eu sou dos exércitos: ‘Sou o Primeiro e o Último. Exceto Eu não há Deus. Quem igual a Mim? Erga-se e fale! (…) Não vos assusteis, não temais: não vos revelei e anunciei há tempos? Sois minhas testemunhas” (ver Is 44,1-8).

Jesus, o Filho de Deus feito carne, assumiu – no Apocalipse – o título de Primeiro e Último:

“E escreve ao Anjo da Igreja de Esmirna: ‘Eis o que diz o Primeiro e o Último, o que estava morto e voltou à vida… Permanece fiel até a morte e Eu te darei a coroa da vida’ ” (ver Ap 2,8-11).

Jesus, o que foi Crucificado e agora é o Ressuscitado, nos consolou no Mesmo Espírito do oráculo do Senhor, pronunciado por Isaías. Muitas vezes, Ele insistiu conosco: “Não temas!”. Lemos:

“Não tenhais medo, pequenino rebanho, porque foi do agrado do Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32).

Logo adiante, na mesma página do Evangelho, encontramos seu apelo a nossa fidelidade, contando a parábola dos dois servidores. Um era fiel, e cuidou bem das pessoas do serviço da propriedade e dos bens do patrão em viagem. Outro foi infiel, maltratando os colegas e descuidando do serviço. O primeiro foi recompensado; o segundo, castigado (Lc 1,41-48). O Amor é Fidelidade. Trair a fidelidade, a confiança, é trair o Amor. Deus é Amor (1Jo 4,8), Deus é Fiel (1Cor 10,13), o Amigo Fiel (ver Ap 1,4-6).

Jesus mesmo nos disse como vivermos a fidelidade, como sermos seus Amigos. Foi na Última Ceia. Ele revelava o Novo Mandamento, o Mandamento dele:

“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sereis meus amigos se praticardes o que vos mando. Já não vos chamo de servidores, pois o que serve não sabe o que faz o senhor. Mas eu vos chamo de amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos mandei ir e produzir fruto, um fruto que dure. Então meu Pai concederá tudo quanto pedirdes em meu Nome. Isso vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12-17).

Como amar? Não está em nós, raça de Caim e Abel, amar. Não é tão simples. Mas se torna simples,quando procuramos e acolhemos o maior dos carismas:

“Desejai os dons (carismas) superiores. E quero vos mostrar um caminho infinitamente superior! Se eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, mas não tivesse caridade, seria um bronze que soa ou um sino que toca (…) Ainda que distribuísse todos os meus bens para o sustento dos pobres e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, isto não me serve para nada (…) Agora estas três coisas permanecem: a Fé, a Esperança e a Caridade. Mas a maior delas é a Caridade” (ver 1Cor 13).

Há uma bela canção do Padre Ney Brasil, que comemora esse mandamento, apelo, promessa. Podemos recitá-la, firmando nossa confiança no Bom Jesus:

“ ‘Permanecei em Mim’, é teu pedido Senhor,
E ‘Eu ficarei em vós’, é tua promessa de amor!
1 Minha vida, em tua vida, teu desejo é transformas,
Meu sorriso em teu sorriso,
Meu olhar, em teu olhar!
2 Une em ti, ó meu Senhor, o meu nada com o teu Ser,
Minha fraqueza com tua força,
Meu viver com teu viver!
3 Para que sejamos um como a árvore e o ramo,
Unifica, em teu amor, todas as coisas,
Tudo que amo!
4 Para que não seja eu quem vive agora, mas sim,
Nas alegrias e nas dores sejas Tu
Quem vive em mim!” *

 * Pe. R. Paiva, SJ & Teresa Cristina Potrick (Orgs.), Cantar e Celebrar, Loyola / SP 2007, p. 36.