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O Dilúvio: o arrependimento de Deus (Gn 6,5-8)

diluvioR. Paiva, SJ

Ora, Deus pode se arrepender? Quem duvida é porque imagina um deus – ídolo, um deus, morta estátua, que, como os deuses dos idólatras têm olhos, mas não vêem, tem ouvidos, mas não ouvem (ver Sb 15, por exemplo). O Deus vivo não é assim! Ele é “rico de misericórdia” (Ef 2,4), ele se importa conosco! Disse Nossa Senhora: Sua misericórdia vai de geração em geração (Lc 1,50). Como todo o Povo de Israel e a Igreja, Maria canta o Salmo 103/104,8: O Senhor é misericordioso e compassivo, cheio de generosidade… Assim Ele vê que na terra crescia a maldade dos homens e que toda a sua atitude era perversa (Gn 6,5). E se indigna, como Jesus no Templo (Jo 2,14ss.)! E se decide a um novo recomeço: aquela gente vai ser apagada pelo dilúvio, e Noé e um pequeno grupo será a semente de um novo tempo!

Para o Autor sagrado o Criador não é irresponsável: ele criou o céu e a terra. Deste modo, as grandes inundações, os terremotos e os vulcões são partes da natureza e são criaturas suas. Se há dilúvios, a responsabilidade é dele! Não resta dúvida! Mas o que acontece diante da terra como é, em grande parte é responsabilidade humana. No grande terremoto do ano de 2008 na China, construções frágeis, feitas com pressa irresponsável ou vítimas da corrupção desenfreada, desabaram matando crianças, filhas de pais que só podem ter um filho, por força da lei dos homens. Estas conseqüências são da responsabilidade (ou irresponsabilidade humana). Sabemos ler os sinais dos tempos (Mt 16,3).

O que faziam os corruptos da geração de Noé, no mundo de Noé? Responde Jesus: Como no tempo de Noé, assim também acontecerá, quando vier o Filho do Homem. Pois como nos dias antes do dilúvio, homens e mulheres comiam, bebiam e se casavam até o dia em que Noé entrou na arca. Nada perceberam até que veio o dilúvio e engoliu a todos… (Mt 24,37-41).

Ocupados conosco mesmos, não olhamos em volta: não vemos a fome no mundo ou a devastação da natureza, a queima de recursos valiosos, que a natureza levou milhões de anos para acumular. Noé, homem de Deus, perscrutava os sinais do tempo, seguia as inspirações do Espírito! E passou pelo dilúvio… Podemos aprender com o pai Noé, não resta dúvida! E passar os maus tempos!