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O Islã é ou não é religião de paz? Responde Pe. Samir.

Neste domingo tem lugar em Paris uma grande marcha contra o terrorismo onde são esperadas mais de um milhão de pessoas. Neste acontecimento vão desfilar o Presidente e primeiro-ministro franceses, François Hollande e Manuel Valls, e ao seu lado estarão presentes também alguns líderes europeus. O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, garantiu a sua presença e aguardam-se as presenças do espanhol, Mariano Rajoy, do italiano, Matteo Renzi, o britânico, David Cameron, o belga, Charles Michele, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Também o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, confirmou a sua presença.

Os atentados de Paris perpetrados por radicais islâmicos recolocaram com força a questão da relação entre a cultura ocidental e o mundo muçulmano. Este parece cada vez mais dividido entre muçulmanos moderados e fundamentalistas como explicou à Rádio Vaticano o Padre Samir Khalil Samir, docente de História da Cultura Árabe na Universidade S. José de Beirute no Líbano:

“Existem, certamente, os muçulmanos moderados e são a maioria. E a maioria dos muçulmanos gostaria de viver em paz com todos. Mas há um problema, porque o Islão em si próprio está dividido em grupos opostos, e muitas vezes em toda a história islâmica e hoje em dia, os muçulmanos, quando não estão de acordo reagem com a guerra. Efetivamente, o ISIS usa a violência contra os xiitas, contra os outros muçulmanos sem distinção, sem piedade. Ora, dizer que aquilo que aconteceu em França não tem que ver com o Islão não é verdade. Mas, dizer que estes são extremistas é verdade. A grande maioria dos muçulmanos não é favorável mas não ousa criticar. Diz-se com frequência: a violência não faz parte do Islão e, portanto, estes muçulmanos não são autênticos muçulmanos. Devo dizer: infelizmente não é a realidade, porque no próprio Corão temos versículos que dizem: ‘Matai onde quer que o encontreis, se forem infieis”, ou seja, quem não aceitou tornar-se muçulmano*. Quando os muçulmanos dizem, e repetem sempre que há um ataque: ‘isto não tem que ver com o Islão” é um jogo de palavras inaceitável. Porquê? Porque quem o faz não o faz enquanto um indivíduo qualquer, mas fá-lo em nome do Islão.”

O Padre Samir considera que os fundamentalistas islâmicos lutam contra o Ocidente porque o consideram ser neo-pagão, mas existe uma solução, segundo o Padre Samir, para vencer o terrorismo islâmico: o diálogo e a interpretação do Corão:

“Há um problema de educação, de reflexão, que falta, hoje em dia, no mundo muçulmano. É preciso diálogo! O outro aspeto é o de ajudar os muçulmanos a fazerem auto-crítica, a reverem o seu modo de agir e de pensar. No fundo, trata-se de repensar o texto do Corão. O texto não se pode tocar, como a Bíblia. Mas a interpretação do texto é uma necessidade, ou seja, situar este texto no seu contexto histórico.” (RS)

(Rádio Vaticana 11.01.2015; ver NEWS.VA)

* Possivelmente Pe. Samir alude à Suratu al -bakarah (Surata da Vaca) n 191; ou também Suratu at – taubah (Surata do Arrependimento) n 1-2. Se o texto pode parecer obscuro, a nota  da p. 293 (“Tradução do sentido do Nobre Alcorão para a língua portuguesa”, com a colaboração da LIga IsLâmica MUndial em Makkah Nobre por Dr. Helmi Nasr, Professor de Estudos Árabes e Islâmicos na Universidade de São Paulo / Brasil”): “Foi revelada no fim do nono ano da Hégira e veio esclarecer, na história islâmica, dois pontos fundamentais: 1o A atitude dos moslimes, de um lado para com os idólatras, e, de outro, para com os seguidores do LIvro (Corão). NO que tange aos primeiros, deviam eles, após o período determinado de 4 meses, aceitar o Islão ou ser combatidos…”